Medicamentos de Esclerose Múltipla Fornecidos pelo SUS

Durante essas ultimas semanas, eu andei elaborando uma série de artigos referentes a medicações que são utilizadas para o tratamento da Esclerose Múltipla (EM), que é uma doença que causa vários sintomas diferentes e dentre eles estão perda da visão, dor, fadiga e comprometimento da coordenação motora. 

A pessoa que me incentivou a criar essa série de artigos foi a Dra. Yara Dadalti Fragoso, e as postagens foram sugestões de amigos(as) que são membros da APEMBS e da ALSAPEM, que são duas associações que tem como objetivo principal acolher, apoiar, conscientizar e informar pessoas com Esclerose Múltipla. Além disso, essas associações atuam como se fosse uma família para os portadores de EM da baixada santista. 

Nessa lista de medicamentos de EM Fornecidos pelo SUS, eu vou falar um pouco sobre esses medicamentos e irei deixar os links para vocês poderem acessar os artigos completos referentes a cada um desses medicamentos. Além disso, tem alguns desses medicamentos citados abaixo que podem não estar disponíveis ainda no SUS. 

Essa série de artigos é algo atípico em um blog de engenharia química, mas como eu gosto de pensa fora da caixa, eu escrevi essa série para vocês. Além disso, eu também já vou agradecer ao pessoal que me enviou as fotos para colocar nesse artigo. Espero que esse artigo seja de grande ajuda para os portadores de EM.

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Acetato de Glatirâmer (Copaxone)


O acetato de glatirâmer é um dos medicamentos que é fornecido pelo (SUS), sendo que o mesmo é fornecido com o nome de Copaxone e pode ser encontrado na versão de 20 mg ou 40mg. Essa medicação faz parte das medicações de 1a linha para o tratamento de EM.


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Caixas de Copaxone de 20mg (a esquerda) e 40mg (a direita)

Link para mais informações referentes ao medicamento:

https://www.engquimicasantossp.com.br/2017/12/acetato-de-glatiramer-esclerose-multipla.html


Interferon Beta (betainterferona 1a, Avonex, e Rebif)


O Interferon Beta é um dos medicamentos que é fornecido pelo (SUS), sendo que o mesmo pode ser fornecido na forma de betainterferona 1a, Avonex, e Rebif. Essa medicação faz parte das medicações de 1a linha para o tratamento de EM.

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Caixa de betainterferona 1a (foto tirada por Juliana Lobão)

Link para mais informações referentes ao medicamento:

https://www.engquimicasantossp.com.br/2020/10/interferon-beta-esclerose-multipla.html

Teriflunomida (Aubagio)


A teriflunomida é um dos medicamentos que é fornecido pelo (SUS), sendo que o mesmo é fornecido com o nome Aubagio em sua embalagem. Essa medicação faz parte das medicações de 1a e 2a linha para o tratamento de EM. 

Caixa de Teriflunomida (Aubagio) 14 mg sus esclerose multipla
Caixa de Teriflunomida (Aubagio) 14 mg

Link para mais informações referentes ao medicamento:

https://www.engquimicasantossp.com.br/2020/11/teriflunomida-medicacao-esclerose-multipla.html


Natalizumabe (Tysabri®)


O natalizumabe é um dos medicamentos que é fornecido pelo (SUS), sendo que o mesmo é fornecido com o nome Natalizumabe (Tysabri®) em sua embalagem. Essa medicação já faz parte das medicações de 2a linha para o tratamento de EM.

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Embalagem do Natalizumabe (tysabri) 

Link para mais informações referentes ao medicamento:

https://www.engquimicasantossp.com.br/2020/03/natalizumabe-remedio-esclerose-multipla.html

Fingolimode (Gilenya®)


O fingolimode é um dos medicamentos que é fornecido pelo (SUS), sendo que o mesmo é fornecido com o nome Fingolimode (Gilenya®) em sua embalagem. Essa medicação faz parte das medicações de 2a linha para o tratamento de EM.


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Caixa de fingolimode (gilenya) (foto tirada por Edmundo Bezerra Junior)

Link para mais informações referentes ao medicamento:

https://www.engquimicasantossp.com.br/2020/11/fingolimode-medicacao-esclerose-multipla.html

Fumarato de Dimetila (Tecfidera)


O fumarato de dimetila é um dos medicamentos que é fornecido pelo (SUS), sendo que o mesmo é fornecido com o nome Tecfidera em sua embalagem. Essa medicação faz parte das medicações de 2a linha para o tratamento de EM. 

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Caixa de fumarato de dimetila (foto tirada por Tania S. Martins )

Link para mais informações referentes ao medicamento:

https://www.engquimicasantossp.com.br/2020/11/fumarato-de-dimetila-tecfidera.html

Ocrelizumabe (Ocrevus)*


O ocrelizumabe é um dos medicamentos que ainda não é fornecido pelo (SUS), mas ele pode ser obtido por via judicial com o nome Ocrevus em sua embalagem. Esse medicamento é uma droga bem forte para EM.

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Caixa do ocrevus (foto tirada por Alexandre Domingos)

Link para mais informações referentes ao medicamento:

https://www.engquimicasantossp.com.br/2020/10/ocrevus-ocrelizumab-esclerose-multipla.html

Mitoxantrona (Novantrone®) *


A mitoxantrona é um dos medicamentos que já foi aprovado pela ANVISA, mas não é fornecido pelo SUS por causa de seu grande risco de eventos adversos. Essa medicação faz parte das medicações de 3a linha para o tratamento de EM. 

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Embalagem e Frasco de Mitoxantrona

Link para mais informações referentes ao medicamento:

https://www.engquimicasantossp.com.br/2020/11/mitoxantrona-novantrone-esclerose-multipla.html

Alemtuzumabe (Lemtrada)


O alemtuzuambe também era um daqueles medicamentos que tinha sido aprovado pela ANVISA, mas ainda não era fornecido pelo SUS por causa de seu risco de eventos adversos.  Recentemente, esse medicamento acabou sendo incorporado  ao rol de procedimentos  da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), que em seus estudos reparou que a medicação oferece bem mais benefícios do que riscos.

Hoje, esse medicamento é fornecido pelo SUS, e faz parte das medicações de 1a linha para o tratamento de EM.


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Caixa de Alemtuzumabe (Lemtrada)


Fampyra (fampridina)


Fampyra (fampridina) é um medicamento que atua bloqueando os canais de potássio para melhorar a função motora de pacientes com esclerose múltipla (EM). Esse medicamento é fornecido pelo SUS.
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Embalagem de Fampyra (fampridina)

Link para mais informações referentes ao medicamento:

https://www.engquimicasantossp.com.br/2021/11/fampyra-esclerose-multipla.html 

Azatioprina (Imuran e Imussuprex)


A azatioprina (Imuran e Imussuprex) é um medicamento com ação imunossupressora e anti-inflamatória que reduz a resposta do sistema imunológico. Ela é empregada no tratamento de diferentes doenças autoimunes e também para evitar a rejeição em pacientes que receberam transplantes de órgãos.

Esse medicamento é fornecido pelo SUS, e tem o seu uso off-label para esclerose múltipla, ou seja, o uso desse medicamento não tem o seu uso regulado para EM aprovado pela agência reguladora até então.

Azatioprina – Medicamento que serve para esclerose múltipla
Embalagem da Azatioprina

Link para mais informações referentes ao medicamento:

https://www.engquimicasantossp.com.br/2025/11/azatioprina-medicamento-para-que-serve.html

Rituximabe (Rituxan ou Mabthera)


rituximabe (Rituxan ou Mabthera) é um anticorpo monoclonal murino / humano quimérico geneticamente modificado, direcionado contra o antígeno CD20 que é encontrado na superfície de linfócitos B normais e malignos.

Esse medicamento é fornecido pelo SUS, e tem o seu uso off-label para esclerose múltipla, ou seja, o uso desse medicamento não tem o seu uso regulado para EM aprovado pela agência reguladora até então.

Embalagem rituximabe esclerose multipla sus
Embalagem de Rituximabe

Link para mais informações referentes ao medicamento:

https://www.engquimicasantossp.com.br/2021/10/rituximabe-medicamento-esclerose.html

Cladribina (Mavenclad)


cladribina (Mavenclad) é um nucleosídeo purínico sintético que atua como um agente antineoplásico com efeitos imunossupressores. Esse medicamento é fornecido pelo SUS.

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Embalagem de Cladribina (Mavenclad) usada no tratamento de Esclerose Múltipla (EM)

Link para mais informações referentes ao medicamento:

https://www.engquimicasantossp.com.br/2021/10/cladribina-mavenclad-esclerose.html

Kesimpta (Ofatumumabe)


Kesimpta (Ofatumumabe) é um medicamento em estudo que tem demonstrado reduzir as taxas de recaída e o risco de progressão da deficiência para pessoas com esclerose múltipla (EM). Essa medicação é fornecida pelo SUS.

caneta autoinjetor Kesimpta ofatumumabe sus
Embalagem e caneta autoinjetor de Kesimpta (ofatumumabe)

Link para mais informações referentes ao medicamento:

https://www.engquimicasantossp.com.br/2021/10/ofatumumabe-kesimpta-esclerose-multipla.html

Ozanimode (Zeposia)*


ozanimode (Zeposia) é um medicamento imunomodulador que é usado para o tratamento de formas recorrentes de Esclerose Múltipla (EM) em adultos (incluindo síndrome clinicamente isolada, doença recorrente-remitente e doença progressiva secundária ativa). Esse medicamento ainda não é fornecido pelo SUS.
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Embalagem de Ozanimode (Zeposia)

Link para mais informações referentes ao medicamento:

https://www.engquimicasantossp.com.br/2021/11/ozanimode-esclerose-multipla.html

Siponimode (Mayzent ou Kiendra)*


Siponimode (Mayzent ou Kiendra) é um novo medicamento da Novartis que é indicado para o tratamento de formas recorrentes de esclerose múltipla (EM), incluindo síndrome clinicamente isolada, doença recorrente-remitente e doença progressiva secundária ativa em adultos. Esse medicamento ainda não é fornecido pelo SUS.

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Frascos de Siponimode de 0,25 mg e 2 mg

Link para mais informações referentes ao medicamento:

https://www.engquimicasantossp.com.br/2021/11/siponimode-esclerose-multipla.html

Ponesimod (Ponvory)*


Ponesimod (Ponvory) é um modulador do receptor de esfingosina 1-fosfato que pode ser usado para tratar adultos com formas recorrentes de esclerose múltipla (EM), incluindo síndrome clinicamente isolada, doença recorrente-remitente e doença progressiva secundária ativa. Esse medicamento ainda não é fornecido pelo SUS.
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Frasco de Ponesimod (Ponvory)

Link para mais informações referentes ao medicamento:

https://www.engquimicasantossp.com.br/2021/11/ponesimod-esclerose-multipla.html

Fumarato de diroximel (Vumerity)*


fumarato de diroximel (Vumerity) é um medicamento que é usado para o tratamento de formas recorrentes de esclerose múltipla (EM) em adultos (incluindo síndrome clinicamente isolada, doença recorrente-remitente e doença progressiva secundária ativa). Esse medicamento ainda não é fornecido pelo SUS.
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Embalagem de Fumarato de diroximel (Vumerity)

Link para mais informações referentes ao medicamento:

https://www.engquimicasantossp.com.br/2021/11/fumarato-de-diroximel-vumerity.html

Fumarato de monometila (Bafiertam)*


fumarato de monometila (Bafiertam) é uma medicação usada no tratamento de formas recorrentes de Esclerose Múltipla (EM) em adultos (incluindo síndrome clinicamente isolada, doença recorrente-remitente e doença progressiva secundária ativa). Esse medicamento ainda não é fornecido pelo SUS.
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Frasco de fumarato de monometila (Bafiertam)

Link para mais informações referentes ao medicamento:



Ublituximabe (Briumvi) *


O Ublituximabe-xiiy (Briumvi) é uma medicação composta por um anticorpo citolítico direcionado a CD20 (antígeno de linfócito B) que é indicado para o tratamento de formas recidivantes de esclerose múltipla (EM), incluindo síndrome clinicamente isolada, doença remitente recidivante e doença. Esse medicamento ainda não é fornecido pelo SUS. Além disso, ele só vai começar a ser vendido nos EUA no primeiro trimestre de 2023.

Ublituximabe Briumvi embalagem sus esclerose
Embalagem do Ublituximabe-xiiy (Briumvi)


Link para mais informações referentes ao medicamento:


Canabidiol (CBD)*


O canabidiol (CBD) é um medicamento derivado da Cannabis, a planta da maconha, que é capaz de atuar no tratamento de doenças que atingem o Sistema Nervoso Central, como a esclerose múltipla. Esse medicamento ainda não é fornecido pelo (SUS) em alguns casos, mas ele pode ser obtido por via judicial.
 
Canabiol maconha esclerose multipla cbd

A maconha não é geralmente usada como tratamento para a esclerose múltipla. No entanto, alguns estudos sugerem que o uso de canabinoides pode ajudar a aliviar alguns dos sintomas da esclerose múltipla, como dor, espasticidade e fraqueza muscular.

O uso da maconha tem sido defendido por alguns profissionais da saúde, mas a eficácia ainda não foi comprovada através de estudos científicos. Além disso, a maconha é considerada uma droga ilegal em muitos países, o que torna difícil realizar estudos de longo prazo. Por essas razões, a maconha ainda não é recomendada como terapia para esclerose múltipla.

Atualmente, o CBD é permitido no Brasil para o tratamento de condições de saúde, desde que sejam prescritos por um médico. No entanto, o uso do CBD para o tratamento de esclerose múltipla ainda não é regulamentado e sua venda é proibida. Portanto, é necessário que os pacientes interessados ​​em usar o CBD para o tratamento desta doença consultem um médico antes de fazer o uso.

Dúvidas sobre as Medicações para Esclerose Múltipla


A esclerose múltipla (EM) é uma doença imunomediada, inflamatória e neurodegenerativa que atinge cerca de 40 mil pessoas no Brasil e 2,9 milhões no mundo. Atualmente, não existe cura definitiva para a EM, os medicamentos apenas controlam os surtos e retardam a progressão da doença. Neste topicos extra, eu abordo as principais dúvidas sobre as medicações disponíveis.

Eficácia e Tipos de Tratamento


O tratamento da esclerose múltipla tem como principal objetivo reduzir a atividade inflamatória, prevenir surtos, retardar a progressão da incapacidade e preservar a qualidade de vida do paciente. Para isso, a abordagem terapêutica combina medidas para controle de crises agudas, terapias modificadoras da doença e estratégias de acompanhamento contínuo, sempre de forma individualizada.

A escolha entre medicamentos de eficácia moderada ou alta, bem como entre vias de administração injetável, oral ou por infusão, depende do perfil clínico da doença, da resposta ao tratamento, do risco de efeitos adversos e das necessidades de cada pessoa.

Qual é o remédio mais moderno para esclerose múltipla?

O ublituximabe (Briumvi) é o medicamento mais recentemente aprovado no Brasil. A Anvisa aprovou o Briumvi em abril de 2024 (publicado em abril de 2026), indicado para adultos com formas recorrentes de EM. Trata-se de um anticorpo monoclonal que reduz as crises da doença.

Outros medicamentos modernos de alta tecnologia incluem:

  • Ocrelizumabe (Ocrevus): primeiro fármaco aprovado para EM primária progressiva (15% dos casos).
  • Ofatumumabe: anticorpo monoclonal de aplicação subcutânea mensal.

Quais são os remédios de alta eficácia para a esclerose múltipla?

As terapias de alta eficácia que barram a evolução da doença com agressividade incluem:

Terapias de alta eficácia para esclerose múltipla

O natalizumabe é indicado como primeira opção para EMRR altamente ativa, podendo reduzir drasticamente surtos e lesões na ressonância.

O tratamento para esclerose múltipla cura a doença?

Não. Atualmente, nenhuma medicação alcança a cura definitiva da esclerose múltipla. Os remédios são denominados "modificadores de doença" porque:

  • Reduzem a frequência de surtos
  • Retardam a progressão da incapacidade
  • Diminuem novas lesões na ressonância magnética
  • Alguns pacientes podem até deixar de apresentar surtos após o início da medicação

Efeitos Colaterais e Riscos


Os medicamentos utilizados no tratamento da esclerose múltipla apresentam perfis de segurança distintos, que variam conforme o mecanismo de ação, a via de administração e a intensidade da modulação do sistema imunológico.

Embora essas terapias sejam fundamentais para reduzir surtos e retardar a progressão da doença, também podem causar efeitos adversos leves, moderados ou, em situações específicas, complicações graves que exigem acompanhamento clínico e laboratorial. Por isso, compreender os principais riscos de cada classe terapêutica é essencial para uma escolha mais segura e individualizada do tratamento.

Quais os principais efeitos colaterais das medicações de esclerose múltipla?

Os efeitos colaterais variam conforme a classe do medicamento:

Principais efeitos colaterais e riscos das medicações esclerose multipla

A Leucoencefalopatia Multifocal Progressiva (LEMP) é uma infecção viral fatal rara do cérebro causada pelo vírus JC, associada principalmente ao natalizumabe, mas também possível com fingolimode e fumaratos. Pacientes em natalizumabe devem fazer teste periódico para anticorpos anti-JCV.

Teratogênico significa que uma substância pode causar malformações ou prejudicar o desenvolvimento do embrião/feto durante a gestação.

Os remédios para esclerose múltipla baixam a imunidade?

Sim. A maioria das medicações atua como imunomodulador ou imunossupressor, o que reduz a capacidade do sistema imunológico de combater infecções:

  • Imunomoduladores (interferons, glatirâmer, teriflunomida, dimetila): modulam a resposta imune com supressão moderada.
  • Imunossupressores (natalizumabe, ocrelizumabe, alemtuzumabe, cladribina, fingolimode): suprimem mais profundamente o sistema imune.

Recomendações importantes:

  • Vacinação atualizada antes de iniciar tratamento (ex: vacina da varicela para fingolimode).
  • Monitoramento de linfócitos e exames de função hepática periódicos.
  • Excluir infecção ativa (especialmente urinária e respiratória) antes de pulsoterapia com corticoide.
  • Receio justificado de contrair outras infecções oportunistas.

Formas de Uso e Rotina


Além da eficácia do medicamento, a forma de uso e a rotina exigida pelo tratamento têm impacto direto na adesão, no conforto e na segurança do paciente com esclerose múltipla. 

As terapias podem ser administradas por via injetável, oral ou por infusão, cada uma com diferentes frequências, necessidades de monitoramento e implicações para o dia a dia.

Por isso, compreender como cada modalidade funciona é fundamental para escolher a estratégia mais adequada ao perfil clínico e à realidade de cada pessoa.

Qual a diferença entre tratamento injetável, oral e por infusão?

As terapias para esclerose múltipla podem ser administradas por diferentes vias, e cada uma delas apresenta características próprias em relação à frequência de uso, praticidade, necessidade de monitoramento e impacto na rotina do paciente. 

A tabela a seguir resume essas diferenças para facilitar a comparação entre os tratamentos injetáveis, orais e por infusão, destacando exemplos, vantagens e limitações de cada modalidade.

Diferenças entre vias de administração esclerose multipla

Escolha do formato: depende do estilo de vida do paciente, preferência pessoal, eficácia necessária e perfil de segurança. Comprimidos diários oferecem mais autonomia; infusões hospitalares periódicas exigem menos adesão diária mas demandam deslocamento.

O que é pulsoterapia e quando ela é indicada?

Pulsoterapia é a administração de altas doses de corticoide intravenoso por curto período (3–5 dias):

  • Medicamento: metilprednisolona 1g/dia por via intravenosa.
  • Indicação: surtos agudos da EM (novos sintomas ou piora por >24h sem febre/infecção).
  • Objetivo: reduzir rapidamente a inflamação e acelerar a recuperação.
  • Eficácia: mais rápida e potente que corticoide oral.

Efeitos colaterais temporários da pulsoterapia:

  • Hipertensão, rubor facial, palpitção, retenção hídrica.
  • Hiperglicemia, distúrbios do paladar, exacerbação da acne.
  • Efeitos psicológicos: insônia, labilidade emocional, depressão, confusão, agitação.

Importante: excluir infecção ativa antes de iniciar pulsoterapia e monitorar sinais de infecção durante o tratamento.

Acesso e Custos


O acesso às medicações para esclerose múltipla no Brasil envolve não apenas critérios clínicos, mas também questões relacionadas à oferta pelo sistema público e ao alto custo de muitos tratamentos.

Nesse cenário, compreender quais medicamentos estão disponíveis no SUS, em que linhas terapêuticas são indicados e quais barreiras podem existir para sua obtenção é fundamental para orientar pacientes e familiares. 

Além disso, os custos elevados no setor privado tornam o planejamento terapêutico e o conhecimento dos direitos de acesso aspectos centrais no cuidado da doença.

Quais remédios para esclerose múltipla são fornecidos pelo SUS?

O SUS fornece medicamentos conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) de 2024:

Medicamentos fornecidos pelo SUS esclerose multipla

Cladribina oral foi incorporada ao SUS em 2023, e em fevereiro de 2025 o Ministério da Saúde iniciou a distribuição aos estados. A Fiocruz fabrica a cladribina disponibilizada pelo SUS.

NÃO disponíveis no SUS (fármacos ainda sem dispensação pública): ocrelizumabe.

Como conseguir medicação de alto custo para esclerose múltipla?

Via SUS:

  1. Ter diagnóstico confirmado por critérios de McDonald (2017) com ressonância magnética.
  2. Laudo médico + receita médica especificando o medicamento.
  3. Requerimento na secretaria de saúde municipal/estadual.
  4. Aguardar regulação do Estado (pode haver filas de espera).
Via plano de saúde:

  • Planos de saúde são obrigados a cobrir medicamentos do rol da ANS e os previstos no PCDT.
  • Tysabri (natalizumabe) custa entre R$ 6 mil e R$ 8 mil por frasco, com custo anual de R$ 150 mil a R$ 230 mil (13 infusões/ano).
  • Em caso de negação, é possível recorrer judicialmente.

Via particular:

  • Medicamentos de alto custo são proibitivamente caros para compra particular.
  • Ocrevus, Briumvi e Lemtrada têm custo anual na casa dos centenas de milhares de reais.

Gestação e Estilo de Vida


A relação entre esclerose múltipla, gestação e estilo de vida exige atenção especial, pois envolve não apenas o controle da atividade da doença, mas também decisões sobre planejamento reprodutivo, uso de medicamentos e cuidados no período pós-parto.

Embora a gravidez seja possível e, em muitos casos, não represente piora da evolução clínica, a escolha e a suspensão de determinadas terapias precisam ser avaliadas de forma individualizada.

Além disso, hábitos de vida saudáveis, acompanhamento multiprofissional e orientação médica contínua são fatores importantes para promover mais segurança à paciente e ao bebê.

Quem tem esclerose múltipla pode engravidar tomando o remédio?

Sim, a gestação é permitida em pacientes com EM, na verdade, a gestação não piora nem acelera a doença e reduz a taxa de surtos, especialmente no primeiro trimestre.

Recomendações sobre medicação na gestação:

Recomendações sobre medicação na gestação esclerose multipla

Recomendação geral: o ideal é que a paciente não esteja em uso de terapias modificadoras de doença durante a gestação. Na maioria dos casos, as drogas são suspensas antes da interrupção do método contraceptivo para planejar gravidez com segurança.

Pós-parto: há aumento da incidência de surtos imediatamente após o puerpério.

Conclusão


O tratamento da esclerose múltipla evoluiu significativamente nas últimas duas décadas, com opções que vão desde injetáveis tradicionais até anticorpos monoclonais de alta eficácia. Embora não exista cura, os medicamentos modificadores de doença permitem que a maioria dos pacientes tenha controle adequado da doença com qualidade de vida.

A escolha do medicamento deve ser individualizada, considerando:

  • Atividade da doença (baixa, moderada ou alta)
  • Perfil de segurança e efeitos colaterais
  • Preferência de via de administração
  • Plano de gestação (para mulheres)
  • Acesso pelo SUS ou plano de saúde

Se você está pesquisando por conta própria ou para ajudar alguém, consulte um neurologista especialista em EM para detalhar melhor o funcionamento de alguma categoria específica de remédio ou explicar o fluxo para conseguir tratamento pelo SUS.  Não se esqueçam que eu sou engenheiro, e não médico. Além disso, sempre é bom consultar um especialista no assunto.

Sobre o autor


Pedro CoelhoOlá meu nome é , eu sou engenheiro químico com Pós Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho e também sou Green Belt em Lean Six Sigma. Além disso, eu conclui recentemente o curso de Engenharia Civil, e em parte de minhas horas vagas me dedico a escrever artigos aqui no ENGQUIMICASANTOSSP, para ajudar estudantes de Engenharia Química e de áreas correlatas. Se você está curtindo essa postagem, siga-nos através de nossas paginas nas redes sociais e compartilhe com seus amigos para eles curtirem também :)

12 Comentários de "Medicamentos de Esclerose Múltipla Fornecidos pelo SUS"

Anônimo
19 de fevereiro de 2024 às 21:51

Você sabe se existe algum estudo sobre o uso de tocilizumabe para tratar esclerose múltipla?

Pedro Coelho
24 de fevereiro de 2024 às 16:24

Olá anônimo

O tocilizumabe é um anticorpo anti-receptor da interleucina-6 que tem sido estudado em vários contextos, mas a sua utilização principal não é na esclerose múltipla (EM) ainda.

Existem estudos sobre o uso do tocilizumabe, mas eles se concentram principalmente na esclerose sistêmica, e não na esclerose múltipla. O tocilizumabe mostrou-se promissor na melhoria da função pulmonar e na prevenção da progressão da fibrose pulmonar na esclerose sistêmica.

Porém, não encontrei estudos específicos sobre o uso do tocilizumabe no tratamento da esclerose múltipla. É importante ressaltar que a pesquisa médica está sempre avançando e novos estudos poderão surgir no futuro. Para obter informações mais precisas e atualizadas, é melhor você consultar um profissional da área da saúde ;)

Espero ter ajudado em algo

Um abraço

Anônimo
30 de dezembro de 2025 às 19:19

Você sabe me dizer se o Mounjaro (Tirzepatida) ajuda no tratamento da esclerose multipla?

Pedro Coelho
31 de dezembro de 2025 às 17:01

Olá anônimo

Os estudos específicos sobre os efeitos da tirzepatida (Mounjaro) na esclerose múltipla ainda são limitados ou inexistentes em ensaios clínicos dedicados a essa doença.

Pesquisas disponíveis focam principalmente em seus efeitos neuroprotetores em condições como Alzheimer, Parkinson, demência e acidente vascular cerebral isquêmico, onde a tirzepatida demonstrou reduzir neurodegeneração induzida por alta glicose, inflamação, estresse oxidativo e disfunção da barreira hematoencefálica em modelos pré-clínicos e coortes observacionais.

Nenhum desses estudos aborda diretamente a esclerose múltipla, que envolve mecanismos autoimunes distintos, como desmielinização e inflamação central no sistema nervoso, sem evidência de benefício terapêutico comprovado para a tirzepatida nessa patologia.

Espero ter sido claro

Um abraço

Claudia
2 de fevereiro de 2026 às 22:26

Você sabe o que é frexalimabe e como ele funciona?

Pedro Coelho
3 de fevereiro de 2026 às 21:35

Olá Claudia

O frexalimabe , também conhecido como frexalimab (SAR441344) , é um medicamento experimental desenvolvido pela Sanofi, um anticorpo monoclonal humanizado de segunda geração que atua como inibidor da glicoproteína CD40L (ligante CD40), com modificações na região Fc para minimizar riscos tromboembólicos.

Esse medicamento não é considerado um medicamento imunosupressor clássico. Ele atua como um modulador imunológico seletivo, bloqueando a via coestimulatória CD40/CD40L para reduzir a inflamação sem causar depleção linfocitária, preservando grande parte da resposta imune global, ao contrário de imunossupressores tradicionais que suprimem amplamente o sistema imunológico.

Ele funciona bloqueando seletivamente a interação entre CD40 e CD40L na via coestimulatória CD40/CD40L, que regula respostas imunes inatas e adaptativas, reduzindo assim a ativação de linfócitos T e B, a produção de citocinas inflamatórias e a neuroinflamação aguda e crônica associada à esclerose múltipla (EM), sem causar depleção linfocitária.

Em estudos de fase 2, doses altas reduziram em 89% as lesões cerebrais com realce por gadolínio (medida de inflamação ativa) após 12 semanas, além de baixar biomarcadores como neurofilamento leve (dano neuronal) e CXCL13 (atividade inflamatória), mostrando bom perfil de tolerância e potencial para tratar EM recidivante e secundariamente progressiva.

O Frexalimabe se diferencia de outros imunomoduladores para esclerose múltipla principalmente por seu mecanismo de ação único, que bloqueia seletivamente a via coestimulatória CD40/CD40L para modular respostas imunes inatas e adaptativas sem depleção linfocitária, ao contrário de anti-CD20 como ocrelizumabe (Ocrevus), que esgota células B.

Enquanto imunomoduladores mais antigos como interferons ou glatirâmer causam sintomas gripais frequentes, reações locais e menos eficácia em lesões (reduções de 30-50%), o frexalimabe demonstrou cortes de até 89% em lesões ativas com realce por gadolínio, efeitos duradouros em biomarcadores como neurofilamento e CXCL13, e perfil de segurança superior com infecções leves predominantes, sem imunossupressão ampla.

Comparado a terapias como natalizumabe ou fingolimode, que elevam riscos de infecções oportunistas ou PML, ele preserva contagens linfocitárias normais e evita esses perigos, posicionando-se como uma opção promissora para EM recidivante e progressiva com tolerância melhor.

Esse medicamento experimental apresenta um perfil de segurança geralmente favorável, com a maioria dos efeitos colaterais sendo leves a moderados. Os mais comuns incluem infecções leves como COVID-19 e resfriados comuns, cefaleia, reações no local da injeção, erupções cutâneas e distúrbios gastrointestinais.

Os efeitos graves são raros (cerca de 5%), podendo envolver artralgia, pneumonia atípica, colangite aguda, função hepática anormal ou toxicidade retiniana isolada, sem relatos de depleção linfocitária ou eventos tromboembólicos significativos até o momento.

Espero ter sido claro

Um abraço

Robson
5 de fevereiro de 2026 às 15:56

Você sabe se polilaminina já é usada em algum tipo de tratamento para esclerose múltipla?

Pedro Coelho
5 de fevereiro de 2026 às 22:00

Olá Robson

Não, a polilaminina ainda não é usada em nenhum tratamento aprovado ou padrão para esclerose múltipla (EM).

Pesquisas recentes mostram que ela está sendo estudada principalmente para lesões agudas na medula espinhal, como traumas recentes, com autorização da Anvisa em janeiro de 2026 para um estudo de fase 1 em cinco pacientes, focando na segurança da aplicação direta na área lesionada.

Em usos experimentais anteriores no Brasil, cerca de oito a dez pacientes com lesões medulares recuperaram algum grau de mobilidade, mas esses casos foram limitados a protocolos acadêmicos e não envolviam EM, que é uma doença autoimune crônica diferente de traumas agudos.

Especialistas alertam que os resultados são preliminares, sem comprovação de eficácia em estudos maiores e controlados, e não há evidências de aplicação em esclerose múltipla até o momento.

Espero ter sido claro

Um abraço

Toninho
11 de março de 2026 às 16:10

Você sabe se o cogumelo juba de leão pode ser usado no tratamento da esclerose múltipla?

Pedro Coelho
12 de março de 2026 às 22:20

Olá Toninho

O cogumelo juba de leão (Hericium erinaceus) tem sido estudado por suas propriedades neuroprotetoras, anti‑inflamatórias e potencialmente remielinizantes, ou seja, de ajudar na regeneração da bainha de mielina que envolve os nervos, o que é justamente o ponto central da lesão na esclerose múltipla.

Alguns estudos básicos e experimentais sugerem que compostos desse cogumelo podem estimular fatores de crescimento nervoso e favorecer a recuperação de danos em neurônios, o que levanta a hipótese de que ele possa atuar como coadjuvante em doenças desmielinizantes, incluindo a esclerose múltipla.

No entanto, essas evidências vêm principalmente de pesquisas em animais, culturas celulares ou revisões, e ainda não há ensaios clínicos robustos em humanos que comprovem de forma consistente o uso seguro e eficaz do juba de leão como tratamento específico para a esclerose múltipla.

Por isso, na prática clínica atual, ele não substitui os tratamentos convencionais indicados pelo neurologista (como imunomoduladores, corticoides ou outros medicamentos específicos), podendo, no máximo, ser considerado um complemento quando avaliado por um profissional de saúde, sempre em conjunto com o acompanhamento médico regular.

Espero ter sido claro

Um abraço

Chico Alves
15 de maio de 2026 às 14:46

Você sabe o que é fenebrutinibe e como estão os testes dessa medicação para esclerose múltipla?

Pedro Coelho
16 de maio de 2026 às 14:43

Olá Chico

O fenebrutinibe é um medicamento oral em investigação para o tratamento da esclerose múltipla, funcionando como um inibidor não covalente da tirosina quinase de Bruton (BTK), uma enzima que, quando inibida, previne a ativação de células de defesa que atacam a mielina dos neurônios.

Os testes de fase III até agora mostram resultados muito promissores: no estudo FENhance 2, com 1.497 pacientes com esclerose múltipla remitente-recorrente, o fármaco reduziu significativamente as recaídas em comparação à teriflunomida (um tratamento já aprovado), chegando a diminuir até 58% os surtos por ano, o que equivale a estimar um surto a cada 17 anos com o uso do medicamento.

Para a forma primária progressiva da doença, o estudo FENtrepid, com 985 pacientes, também atingiu seu objetivo principal, mostrando que o fenebrutinibe teve desempenho semelhante ao ocrelizumabe (único tratamento atualmente aprovado para essa forma) no atraso da progressão da incapacidade, com benefício observável já a partir do sexto mês e mantido por mais de dois anos.

O perfil de segurança dos estudos foi consistente com resultados anteriores. Há ainda um segundo estudo de fase III (FENhance 1), também para a forma remitente-recorrente, cujos resultados devem ser divulgados no primeiro semestre de 2026, e após a conclusão desse estudo os dados combinados poderão sustentar a submissão do medicamento às autoridades regulatórias em diferentes países.

Até o momento não há previsão de quando o fenebrutinibe estará disponível no Brasil.

Espero que essa informação te ajude

Um abraço

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