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Cladribina (Mavenclad): Medicamento para Esclerose Múltipla

A cladribina (Mavenclad) é um nucleosídeo purínico sintético que atua como um agente antineoplásico com efeitos imunossupressores. A cladribina se difere estruturalmente da desoxiadenosina (derivado do nucleosídeo adenosina) apenas pela presença de um átomo de cloro na posição 2 do anel de purina, e essa pequena diferença resulta em uma resistência à degradação enzimática pela adenosina desaminase.

estrutura quimica da cladribina
Estrutura química da cladribina (formula química C10H12ClN5O3)

Devido a esta resistência, a cladribina exibe um efeito citotóxico mais prolongado do que a desoxiadenosina contra os linfócitos em repouso e proliferação. A cladribina faz parte de um grupo de drogas quimioterápicas conhecidas como antimetabólitos. Os antimetabolitos impedem as células de se reproduzirem e repararem o DNA, ou seja, os antimetabólitos impedem os processos necessários para o crescimento e a multiplicação das células cancerosas.

Além disso, a cladribina também pode usada para o tratamento de formas recorrentes de esclerose múltipla (EM), sendo esse medicamento usado em pacientes que não responderam ou que foram incapazes de tolerar medicamentos alternativos para EM.

caixa cladribina mavenclad esclerose multipla (EM)
Caixa de Cladribina (Mavenclad) usada no tratamento de Esclerose Múltipla (EM)

Comentários sobre a postagem


Essa postagem foi uma sugestão de um leitor anônimo que gostou da serie de artigos referentes a medicações para esclerose múltipla. O artigo abaixo vai fala da cladribina de uma maneira que vai fugir um pouco da área da química.

No entanto, esse artigo vai ser de grande ajuda para a turma da área da saúde e para as pessoas que fazem o uso (ou vão fazer) desse medicamento. Além disso, a cladribina usada no tratamento de câncer (especialmente de leucemia) é um pouco diferente da usada no tratamento de esclerose múltipla, pois a cladribina usada no tratamento de câncer é por injeção contínua na veia enquanto a usada no tratamento de EM é em forma de comprimido.

Conforme o pedido, o artigo vai ser mais focado na EM para podermos dar continuidade nessa série de artigos. Além disso, a cladribina não é nenhum monstro para os pacientes que estão sendo acompanhados por um bom neurologista. Espero que esse pequeno artigo ajude vocês, boa leitura :)

Mecanismo de Ação e Eficiência da Cladribina


No tratamento de EM, a cladribina atua matando certos tipos de células sanguíneas produzidas pelo sistema imunológico. Esses glóbulos brancos (ou linfócitos) são chamados de células T e B.

Essas células normalmente atacam vírus e bactérias que entram em seu corpo. Em pacientes com EM essas células não funcionam muito bem, pois elas atacam a bainha de mielina ao redor dos nervos do cérebro e da medula espinhal.

A cladribina é um medicamento que impede que essas células, especialmente as células B, entrem no cérebro e na medula espinhal, de modo que não possam danificar os nervos.

O paciente toma este medicamento na forma de comprimido em dois tratamentos, que tem um intervalo de doze meses. Cada etapa desse tratamento consiste em duas semanas de tratamento com um intervalo de um mês entre elas.

Na primeira semana do mês, o paciente começa o tratamento tomando 1 ou 2 comprimidos por dia durante 4 ou 5 dias dessa semana, depois no começo do mês seguinte ele repete esse procedimento para fechar esse ciclo. No ano seguinte, esse tratamento de duas semanas é repetido novamente para controlar a EM.

A cladribina apresentou uma boa eficácia na redução da atividade e progressão da esclerose múltipla durante os testes dessa medicação, sendo isso baseado em quanto ela reduz as recaídas e diminui a velocidade com que a deficiência das pessoas piora.

Efeitos Colaterais da Cladribina


A cladribina é um medicamento que não enfraquece o sistema imunológico tanto quanto alguns outros medicamentos para esclerose múltipla. Portanto, o risco de contrair infecções não é tão alto como de alguns outros tratamentos para EM.

O efeito colateral mais comum é uma queda no número de glóbulos brancos que lutam contra infecções (linfopenia). Isso pode ser visto em cerca de 30% dos pacientes que fazem o uso dessa medicação. A cladribina foi criada com este intuito, mas essa queda pode durar muito tempo e ser grave em alguns casos.

Outros efeitos colaterais podem incluir um risco ligeiramente maior de dores de cabeça, resfriados e infecções causadas pelos vírus do herpes. Isso inclui a erupção cutânea, que ocorre em uma em cada 50 pessoas que tomam essa medicação. Além disso, o paciente tem que ser vacinado contra algumas infecções, como catapora, antes de tomar cladribina.

Referências



Sobre o autor


Pedro Coelho Olá meu nome é Pedro Coelho, eu sou engenheiro químico, engenheiro de segurança do trabalho e Green Belt em Lean Six Sigma. Além disso, também sou técnico em informática, e em parte de minhas horas vagas me dedico a escrever artigos aqui no ENGQUIMICASANTOSSP, para ajudar estudantes de Engenharia Química e outros cursos. Se você acha legal esse projeto, siga-nos através de nossas paginas nas redes sociais e ajude-nos a divulgar essa ideia, compartilhando com seus amigos as nossas postagens.

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