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Ofatumumabe (Kesimpta): Medicamento para Esclerose Múltipla

O Kesimpta (Ofatumumabe) é um anticorpo monoclonal que tem como alvo a proteína CD20, que é encontrada na superfície de certos tipos de células do sistema imunológico que são chamadas de células B. Esse medicamento em estudo tem demonstrado reduzir as taxas de recaída e o risco de progressão da deficiência para pessoas com esclerose múltipla (EM).

caneta autoinjetor Kesimpta ofatumumabe
Embalagem e caneta autoinjetor de Kesimpta (ofatumumabe)

O ofatumumabe é um mAb anti-CD20 totalmente humano de alta afinidade que pertence à subclasse de isotipo IgG1 / kappa (κ). O anticorpo é expresso em uma linha celular NS0 murina e consiste em duas cadeias pesadas de IgG1 idênticas de 452 aminoácidos cada e duas cadeias leves kappa idênticas de 214 aminoácidos cada.

A cadeia pesada de ofatumumabe contém um local de N-glicosilação. A lisina C-terminal da cadeia pesada é removida predominantemente. O ofatumumabe não tem locais de glicosilação ligados a O. A fórmula química desse medicamento é C6480H10022N1742O2020S44.

Comentários sobre a postagem


Essa postagem foi uma sugestão de alguns leitores que me alertaram sobre esse novo medicamento que a Anvisa aprovou recentemente para o tratamento de pacientes adultos com formas recorrentes de esclerose múltipla.

O ofatumumabe é uma substancia que antes era apenas usada no tratamento da leucemia linfocítica crônica (LLC), mas o seu uso para EM parece ser bem promissor.

Esse artigo vai fugir um pouco da área da química, mas vai ser de grande ajuda para a turma da área da saúde e para as pessoas curiosas que querem saber mais informações sobre essa medicação. Espero que esse pequeno artigo ajude vocês de alguma maneira, boa leitura :)

Mecanismo de Ação do Ofatumumabe


As células do sistema imunológico, chamados de células B, normalmente matam apenas vírus e bactérias que entram em nosso organismo, mas na EM essas células não funcionam do jeito que deveriam.

A esclerose múltipla é uma doença autoimune na qual o sistema imunológico do corpo ataca por engano e danifica a bainha de mielina (camada protetora que isola as fibras nervosas), que é responsável por ajudar a transportar mensagens entre o seu cérebro e o resto do seu corpo.

O modo de ação exato pelo qual o Kesimpta altera a atividade da doença na EM ainda é incerto, mas os pesquisadores sabem que o tratamento tem como alvo as células B ao se ligar o oftatumumabe à proteína CD20 que é encontrada na superfície das células B. Acredita-se que isso leve a uma diminuição no número dessas células do sistema imunológico que atacam a bainha de mielina.

Nos estudos médicos, essa medicação mostrou uma redução na quantidade de inflamação que pode ser observada nos exames de ressonância magnética. Os médicos neurologistas vêm essa inflamação como lesões ou áreas de danos aos nervos.

De acordo com a fabricante Novartis, o Kesimpta é a primeiro tratamento de EM direcionado às células B, que pode ser autoadministrado em casa. Esse tratamento é administrado uma vez por mês através de uma injeção sob a pele (subcutânea), que é feita através do uso de uma caneta auto injetora que é bem-parecida com aquela usada no tratamento com interferon beta.

Estudos comparando o Ofatumumabe com a Teriflunomida


Em dois experimentos comparando o ofatumumabe a teriflunomida (Aubagio) que é outro medicamento para tratar a EM. O ofatumumabe foi significativamente melhor do que a teriflunomida na redução do número de recidivas que as pessoas tiveram.

Além disso, o ofatumumabe também foi melhor para reduzir o número de lesões que os médicos podiam ver nas imagens de ressonância magnética.

As recidivas diminuíram: 51-59% em comparação com a teriflunomida.

Isso significa que nos testes, ao longo de dois anos e meio, as pessoas viram em média uma queda de 51-59% no número de recaídas, sendo isso comparado com as pessoas que tomaram teriflunomida.

O agravamento da deficiência diminuiu em até 34% em comparação com a teriflunomida.

Isso significa que nos dois testes em média, as pessoas viram uma queda de até 34% no risco de piora de sua deficiência, sendo isso comparado com as pessoas que tomaram a teriflunomida.

Cuidados ao tomar essa medicação


Antes de tomar essa medicação, os pacientes com prescrição de Kesimpta devem fazer testes de sangue para detectar a presença do vírus da hepatite B (HBV) e os níveis séricos de imunoglobulinas. Ao iniciar o Kesimpta, os indivíduos tomarão injeções todas as semanas durante 3 semanas e, a partir daí, tomarão Kesimpta mensalmente.

O Kesimpta é um medicamento que não deve ser administrado em indivíduos com uma infecção ativa até que a infecção esteja resolvida. Em pessoas com histórico de infecção pelo vírus da hepatite B, o vírus pode ser reativado, o que pode causar problemas hepáticos graves. Devido ao risco de dano fetal, as mulheres são advertidas a usar métodos anticoncepcionais durante e por 6 meses após a interrupção do Kesimpta.

Efeitos colaterais do ofatumumabe


Após injetar o medicamento, cerca de uma em cada cinco pessoas tem uma reação, como dor de cabeça ou rubor (ficando vermelho). Cerca de um em cada dez tem uma reação na pele por alguns dias, onde eles se injetam. Isso acontece principalmente na primeira vez que as pessoas injetam.

Nos testes, mais de uma em cada dez pessoas contraiu resfriados, infecções no peito, infecções na bexiga e outras infecções do trato urinário, ou dores de cabeça. Além disso, esses sintomas foram semelhantes ao das pessoas que tomaram a teriflunomida.

Referências



Sobre o autor


Pedro Coelho Olá meu nome é Pedro Coelho, eu sou engenheiro químico, engenheiro de segurança do trabalho e Green Belt em Lean Six Sigma. Além disso, também sou técnico em informática, e em parte de minhas horas vagas me dedico a escrever artigos aqui no ENGQUIMICASANTOSSP, para ajudar estudantes de Engenharia Química e outros cursos. Se você acha legal esse projeto, siga-nos através de nossas paginas nas redes sociais e ajude-nos a divulgar essa ideia, compartilhando com seus amigos as nossas postagens.

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