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Interferon Beta – Medicamento para Esclerose Múltipla

Descoberto pelos cientistas que criaram o Avonex (Biogen) e o Betaseron (Bayer HealthCare) na década de 90, o Interferon Beta (às vezes chamados de beta de Interferon) surgiu em uma época onde duas grandes empresas estavam competindo para ver quem criaria o melhor tratamento para a Esclerose Múltipla Remitente e Recorrente (EMRR), sendo que nessa época foram feitos vários ensaios clínicos que compararam diretamente sua eficácia.


Embalagens do Avonex e do Betaferon, marcas Interferon beta
Embalagens do Avonex e do Betaferon, que são duas Marcas muito utilizadas de Interferon beta


Ironicamente ambas as medicações começaram a sua vida com designações órfãs, pois ambas são variantes do composto biológico interferon beta, diferindo-se apenas ligeiramente na composição química. 

Atualmente, existem cinco marcas de Interferon Beta que são usados para os tratamentos de EMRR, sendo elas: Avonex, Betaferon, Extavia, Plegridy, e Rebif.

Comentários sobre a postagem


Essa postagem foi uma sugestão de alguns pacientes da minha amiga e professora de neurologia Dr. Yara Dadalti Fragoso, que viram e curtiram os meus artigos sobre o acetato de glatirâmerinterferon fingolimodeocrevus, natalizumabe. Além disso, eu também me comprometo a escrever mais artigos sobre outros medicamentos. 

No entanto, eu também vou querer sabe como os pacientes que estão me sugerindo esses artigos estão lidando com essas medicações, sendo que se você for usuário dessa medicação, por favor, comente e compartilhe conosco a sua experiência com esse medicamento ;) 

Espero que esse artigo seja de grande ajuda para a turma da área da saúde e para as pessoas que fazem o uso (ou vão fazer) desse medicamento, boa leitura pessoal :)

Mecanismo e Propriedades dos Interferons na Esclerose Múltipla 


Os interferons fazem parte de uma família de proteínas que são produzidas naturalmente no corpo humano por células eucarióticas em resposta a uma infecção viral e a outros indutores biológicos. Os interferons são citocinas que medeiam as atividades antivirais, anti ‐ proliferativas e imunomoduladoras. Sendo eles liberados pelos glóbulos brancos para alterar a resposta do sistema imunológico às infecções. 

As três formas principais de interferons foram distinguidas: alfa, beta e gama. Os interferons alfa e beta são classificados como interferons do tipo I e o interferon gama é um interferon do tipo II. Esses três tipos de interferons têm atividades biológicas sobrepostas, mas claramente distinguíveis. 

A administração sistêmica de interferon gama tem efeitos na imunidade celular de pacientes com esclerose múltipla e na atividade dessa doença no Sistema Nervoso Central, sugerindo que os ataques induzidos durante o tratamento com interferon gama são imunologicamente mediados, deixando o interferon gama inadequado para uso como agente terapêutico na esclerose múltipla. 

O interferon gama que é liberado pelo corpo no início de uma resposta imune, estimula a inflamação no tecido sob ataque. Já o interferon beta que é liberado no final de um ataque imunológico, bloqueia a ação do interferon gama e ajuda a reduzir a inflamação e a reação imunológica do corpo. 

Além disso, os interferons também se diferem no que diz respeito aos seus sítios celulares de síntese. O interferon beta é produzido por vários tipos de células, incluindo fibroblastos e macrófagos. O interferon beta natural é glicosilado e tem uma única ligação com uma porção de carboidratos complexos. 

A glicosilação de outras proteínas é conhecida por afetar sua estabilidade, atividade, bio-distribuição e meia-vida no sangue. No entanto, os efeitos do interferon beta que dependem da glicosilação não estão totalmente definidos. O interferon gama é induzido pela estimulação de linfócitos sensibilizados com antígeno ou linfócitos não sensibilizados com mitógenos. 

O mecanismo de ação do interferon beta é bem complexo, e envolve efeitos em vários níveis da função celular. O interferon beta parece aumentar diretamente a expressão e a concentração de agentes antiinflamatórios enquanto diminui a expressão de citocinas pró-inflamatórias. 

Esse interferon exerce seus efeitos biológicos ligando-se a receptores específicos na superfície das células humanas. Esta ligação inicia uma cascata complexa de eventos intracelulares que levam à expressão de numerosos produtos e marcadores de genes induzidos por interferon.


Mecanismos de ação Interferon beta esclerose múltipla
Mecanismos de ação do Interferon beta na esclerose múltipla. O interferon beta exerce seus efeitos biológicos ligando-se a receptores específicos na superfície das células humanas. Esta ligação inicia uma cascata complexa de eventos intracelulares que levam à expressão de numerosos produtos gênicos induzidos por interferon e marcadores


Após uma única dose intramuscular de interferon beta-1a, os níveis séricos desses produtos permanecem elevados por pelo menos 4 dias e até 1 semana. Não se sabe se o mecanismo de ação do interferon beta na esclerose múltipla, que é mediado pela mesma via que os efeitos biológicos descritos aqui. 

Além disso, também ocorre o aumento das quantidades de neopterina que são produzidas por monócitos / macrófagos humanos após estimulação do interferon beta. A medição das concentrações de neopterina em fluidos corporais, como soro, líquido cefalorraquidiano ou urina, fornece informações sobre a ativação da imunidade celular derivada de células T auxiliares 1 e a atividade farmacológica de interferon beta é avaliada pelas concentrações séricas de neopterina como um biomarcador bem caracterizado induzido por interferon beta-1a e peginterferon beta-1a.

Como é administrado o Interferon Beta e as suas reações adversas


Seu corpo produz naturalmente seus próprios interferons para diminuir alguma inflamação. Esses remédios que contem Interferon beta são versões feitas pelo homem, que podem ajudar a reduzir (e podem prevenir) a inflamação que danifica os nervos na esclerose múltipla. 

Os Interferons beta são todos injetáveis, sendo que alguns são com uma espécie de “caneta”, ou seja, o paciente não vê a agulha entrando na pele. No entanto, existem versões que se parecem com as seringas do acetato de glatirâmer (Copaxone), onde o paciente se aplica por via subcutânea.

caneta usada para aplicação de interferon beta
Um exemplo da famosa “caneta” que é usada para aplicação da medicação

Como funciona o Interferon beta?


Os medicamentos para esclerose múltipla podem ser divididos em três grupos com base em como eles controlam a doença. A eficácia dos Interferons beta é classificada como 'moderada', sendo isso baseado em quanto eles reduzem as recaídas e diminuem a velocidade com que a deficiência das pessoas piore. 

Em vários testes feitos com Interferon beta, os cientistas viram uma queda de 33% no número de recaídas, sendo que isso foi comparado com as pessoas que tomaram placebo em um tratamento simulado sem nenhum medicamento. 

Evidências de longo prazo de pessoas que tomaram interferons beta por anos mostram que seu efeito é muito maior do que 'moderado' se o paciente começar a tomar o medicamento no início de sua esclerose múltipla. 

Efeitos Colaterais da Medicação


Em geral, os riscos de efeitos colaterais, especialmente os graves, estão entre os mais baixos. 

Após uma injeção de interferon beta, pelo menos uma em cada 10 pessoas sente que tem uma sensação de gripe, com dores de cabeça, dores musculares, arrepios ou febre. Geralmente, não duram mais do que dois dias (48 horas) após a injeção e geralmente melhoram com o tempo de uso dos medicamentos. O uso do ibuprofeno (ou paracetamol) pode ajudar a aliviar esses efeitos colaterais. 

A sua pele também pode ficar vermelha, dura, com hematomas ou comichão no local da injeção. Além disso, o Interferon beta pode causar depressão, logo não é muito indicado para pacientes que já tiveram depressão no passado.

Referências


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  • https://www.mstrust.org.uk/a-z/beta-interferon (acessado em 21/10/2020 12:15)
  • https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5474703/ (acessado em 21/10/2020 12:37)
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  • Cluster Genesis: Technology-Based Industrial Development, Leif Lundblad's Chair in International Business and Entrepreneurship Pontus Braunerhjelm, Pontus Braunerhjelm, Maryann P. Feldman, Heninger Distinguished Professor in the Department of Public Policy Maryann P Feldman, OUP Oxford, 2006.

Sobre o autor


Pedro Coelho Olá meu nome é Pedro Coelho, eu sou engenheiro químico, engenheiro de segurança do trabalho e Green Belt em Lean Six Sigma. Além disso, também sou técnico em informática, e em parte de minhas horas vagas me dedico a escrever artigos aqui no ENGQUIMICASANTOSSP, para ajudar estudantes de Engenharia Química e outros cursos. Se você acha legal esse projeto, siga-nos através de nossas paginas nas redes sociais e ajude-nos a divulgar essa ideia, compartilhando com seus amigos as nossas postagens.

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4 Comentários de "Interferon Beta – Medicamento para Esclerose Múltipla"

Parabéns Pedro, é o medicamento que uso a 5 anos rsrs

Obrigada pelas informações.Parabéns !

O Interferon foi um dos piores remédios que já tomei. A única vantagem era que em forma de caneta, não via a cara da injeção, mas os efeitos colaterais eram horríveis. Tinha febre e dor direto. Não desejo pra ninguém.

Boa noite Pedro

Faço uso de betainterferona a um 1 ano, já me adaptei,não tenho efeito colateral a ponto de incomodar o meu dia a dia. Para o meu caso, este tratamento inicial está sendo super positivo :)

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