No cenário do saneamento e do tratamento de efluentes industriais, a busca por processos mais eficientes e economicamente viáveis é constante. Entre as tecnologias químicas mais consolidadas, o policloreto de alumínio (PAC) destaca-se como um coagulante macromolecular de alta performance.
Este artigo analisa as propriedades físico-químicas do PAC, seus mecanismos de atuação, aplicações práticas e relevância no mercado industrial.
Estrutura Química e Propriedades
Para entender o policloreto de alumínio para que serve, é preciso primeiro compreender sua estrutura. Diferente dos sais de alumínio convencionais, como o sulfato de alumínio, o PAC é um polímero inorgânico pré-hidrolisado.
Fórmula química e do Policloreto de alumínio
A fórmula química genérica do policloreto de alumínio pode ser representada como:
Sua estrutura molecular complexa apresenta alto grau de polimerização, sendo o íon central "Al13" (íon Keggin) o principal responsável pela sua alta densidade de carga positiva.
Ficha Técnica e Identificação
- Número CAS do Policloreto de alumínio: 1327-41-9
- Densidade do Policloreto de alumínio: Varia geralmente entre 1,15 g/cm³ a 1,35 g/cm³ para soluções líquidas, dependendo da concentração.
- pH do Policloreto de aluminio: Em solução a 1%, o pH tipicamente varia entre 3,5 e 5,0.
- Policloreto de alumínio em inglês: Polyaluminum Chloride.
Concentrações Comerciais e Formas Físicas
As concentrações de policloreto de alumínio vendidas comercialmente variam conforme o estado físico do produto (líquido ou sólido) e a aplicação final:
- Policloreto de alumínio 18%: É a apresentação líquida mais comum no mercado nacional, expressa em teor de óxido de alumínio (Al2O3).
- Policloreto de alumínio 30%: Corresponde à versão de alta concentração, geralmente comercializada como policloreto de alumínio em pó (sólido amarelado), contendo cerca de 30% de Al2O3.
A escolha entre a forma líquida e o pó depende da logística de transporte, capacidade de armazenamento e sistemas de dosagem de cada planta de tratamento.
Mecanismo de Ação: Reação do Policloreto de Alumínio na Água
Quando adicionado ao meio aquoso, a reação do policloreto de alumínio na água ocorre de forma muito mais rápida que a dos sais tradicionais. Devido à sua pré-hidrólise, ele depende menos da alcalinidade natural da água para formar os flocos.
Os principais mecanismos envolvidos são:
- Neutralização de Carga: As espécies poliméricas altamente carregadas positivamente desestabilizam rapidamente os coloides suspensos (negativos).
- Varredura (Enmeshment): Formação de hidróxidos de alumínio insolúveis que precipitam, aprisionando as impurezas em flocos pesados e de sedimentação rápida.
Principais Aplicações do PAC
Graças à sua elevada eficiência na coagulação e floculação, o policloreto de alumínio (PAC) é empregado em diferentes processos que exigem a remoção de partículas suspensas, matéria orgânica e outros contaminantes.
Sua rápida atuação, a formação de flocos densos e a menor interferência no pH tornam o produto uma alternativa versátil para sistemas de tratamento de água e efluentes. A seguir, são apresentadas suas principais aplicações nos setores de saneamento, indústria e tratamento de águas recreativas.
Policloreto de alumínio no tratamento de água (ETA)
O PAC é amplamente utilizado na potabilização da água destinada ao consumo humano. Ele reduz drasticamente a turbidez e a cor aparente com menor consumo de alcalinizantes (como cal ou soda), mantendo o pH da água tratada mais estável.
Policloreto de alumínio no tratamento de efluentes (ETE)
No tratamento de efluentes industriais (químicos, têxteis, de papel e celulose), o PAC atua na remoção de metais pesados, óleos, suspensões orgânicas e fósforo, garantindo o atendimento aos padrões de descarte ambiental.
Policloreto de alumínio em piscina
O produto também é aplicado no tratamento de águas recreativas como um poderoso decantador, aglomerando micropartículas que turvam a água para que possam ser retidas no filtro ou aspiradas no fundo da piscina.
Riscos, Segurança e Saúde
O manuseio industrial do PAC exige cuidados específicos que já foram registrados na FDS (Ficha de Dados de Segurança) do policloreto de aluminio, que é um antigo documento conhecido popularmente como ficha tecnica do policloreto de aluminio.
- Policloreto de alumínio e os seus riscos: Por ser um produto de caráter ácido, pode causar irritação severa aos olhos, pele e vias respiratórias se inalado na forma de pó. O uso de EPIs (óculos de proteção, luvas de nitrila e máscaras contra poeira/vapores ácidos) é obrigatório.
- Policloreto de alumínio e o Alzheimer: Existe um debate histórico na comunidade científica sobre a correlação entre a ingestão de alumínio na água tratada e o desenvolvimento da doença de Alzheimer. Contudo, estudos epidemiológicos e revisões da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que não há evidências científicas conclusivas que comprovem o nexo causal, desde que os limites residuais de alumínio na água potável estabelecidos pela legislação (ex: Portaria GM/MS nº 888) sejam rigorosamente respeitados pelas ETAs.
Comparativo Técnico: Vantagens e Desvantagens do PAC
Na engenharia de processos, a escolha do coagulante ideal depende de variáveis operacionais, físico-químicas e econômicas.
Abaixo, detalhamos como o policloreto de alumínio (PAC) se posiciona frente aos coagulantes tradicionais do mercado, com especial enfoque no sulfato de alumínio e nos sais de ferro.
Vantagens do Policloreto de Alumínio
- Menor consumo de alcalinizantes: Por ser um polímero pré-hidrolisado, o PAC consome muito menos a alcalinidade natural da água. Isso reduz drasticamente ou elimina a necessidade de dosagem posterior de cal hidratada ou soda cáustica para correção do policloreto de aluminio ph.
- Floculação e sedimentação aceleradas: As macromoléculas do PAC geram microflocos de alta densidade e peso molecular. O resultado é um tempo de detenção hidráulica (TDH) menor nos decantadores.
- Ampla faixa de atuação de pH: Diferente do sulfato de alumínio (que exige uma faixa estrita entre 6,0 e 6,8), o PAC opera com alta eficiência em espectros de pH mais amplos (geralmente de 5,5 a 9,0).
- Desempenho em águas frias: O PAC mantém sua eficiência cinética de coagulação mesmo em temperaturas baixas da água bruta, cenário onde o sulfato de alumínio perde consideravelmente sua performance.
- Menor volume de lodo gerado: A compactação do lodo gerado pelo PAC é superior, reduzindo os custos operacionais com desidratação (filtros prensa ou centrífugas) e disposição final do resíduo.
Desvantagens do Policloreto de Alumínio
- Custo de aquisição inicial mais elevado: O policloreto de alumínio preço por tonelada líquida é historicamente superior ao do sulfato de alumínio bruto. O ganho financeiro precisa ser calculado no balanço global do processo (redução de polímeros auxiliares e alcalinizantes).
- Sensibilidade ao superdosamento: Excessos na dosagem de PAC podem causar a reversão de carga dos coloides, provocando a redispersão das partículas e a consequente turbidez residual no efluente.
- Restrições de estocagem por corrosividade: Devido à presença de cloretos em sua estrutura molecular, as soluções de PAC exigem tanques de armazenamento e linhas de dosagem estritamente revestidos com materiais poliméricos (como PRFV, PP ou PEAD) para evitar a corrosão acelerada de ligas metálicas.
Mercado e Comercialização no Brasil
O preço do policloreto de alumínio varia conforme a cotação internacional da bauxita, custos do ácido clorídrico e a logística de transporte.
No cenário nacional, os principais fabricantes de policloreto de alumínio no Brasil concentram suas plantas de produção próximas aos grandes polos industriais e de mineração, garantindo o abastecimento de indústrias químicas, metalúrgicas e companhias estaduais de saneamento.
Perguntas e Respostas (FAQ)
Ainda ficou com alguma dúvida sobre a aplicação, o funcionamento ou a segurança do Policloreto de Alumínio (PAC)? Reunimos abaixo as respostas para os questionamentos mais comuns de engenheiros, operadores de ETA/ETE, estudantes e profissionais da área sobre o uso deste coagulante no saneamento e na indústria.
O que é o policloreto de alumínio (PAC) e para que serve?
O policloreto de alumínio é um polímero inorgânico à base de alumínio e cloro. Ele serve como agente coagulante e floculante em processos de purificação, sendo essencial no tratamento de águas residuais, efluentes industriais e na potabilização da água.
Qual a diferença entre o PAC líquido 18% e o pó 30%?
A principal diferença está na concentração do princípio ativo (Al2O3) e no estado físico. O PAC líquido possui geralmente 18% de óxido de alumínio e está pronto para dosagem automática. O PAC em pó possui cerca de 30% de concentração, oferecendo vantagens econômicas no frete de longa distância, mas exige uma etapa prévia de dissolução na planta.
O policloreto de alumínio altera o pH da água?
Sim, o PAC reduz o pH da água devido ao seu caráter ácido, porém essa redução é significativamente menor quando comparada ao sulfato de alumínio. Isso ocorre porque o PAC já é comercializado parcialmente hidrolisado (pré-neutralizado).
Onde encontrar a FDS do policloreto de alumínio?
A FDS (Ficha de Dados de Segurança) deve ser obrigatoriamente fornecida pelo fabricante ou distribuidor do produto químico no momento da compra. Ela também pode ser solicitada diretamente nos portais de suporte técnico dos principais fabricantes de saneamento no Brasil.
O uso de PAC no tratamento de água oferece riscos à saúde?
Quando aplicado nas dosagens corretas e operado dentro dos parâmetros normativos das estações de tratamento, o alumínio residual na água tratada fica abaixo dos limites máximos permitidos (0,2 mg/L), sendo seguro para a população e sem correlação comprovada com doenças degenerativas como o Alzheimer.
Referências
- METCALF, L.; EDDY, H. P. Wastewater Engineering: Treatment and Resource Recovery. 5. ed. New York: McGraw-Hill, 2014.
- LIBÂNIO, M. Fundamentos de Qualidade e Tratamento de Água. 4. ed. Campinas: Átomo, 2016.
- WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Aluminium in Drinking-water: Background document for development of WHO Guidelines for Drinking-water Quality. Genebra: WHO, 2010.
- ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 14947: Policloreto de alumínio para tratamento de água - Especificação técnica. Rio de Janeiro, 2003.
- QUIMISUL SC BRASIL LTDA. Policloreto de alumínio PAC 18% – 5 litros. Disponível em: https://quimisulsc.com.br/produto/policloreto-de-aluminio-pac-18-5-litros/. Acesso em: 23 out. 2026.
- BASEKIM. Fornecedor de policloreto de alumínio (PAC) para tratamento de água. Disponível em: https://basekim.com/pt/policloreto-de-aluminio/. Acesso em: 23 out. 2026.
Sobre o autor
Olá meu nome é Pedro Coelho, eu sou engenheiro químico com Pós Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho e também sou Green Belt em Lean
Six Sigma. Além disso, eu conclui recentemente o curso de Engenharia Civil, e em parte de minhas horas vagas me dedico a escrever artigos aqui no ENGQUIMICASANTOSSP, para ajudar estudantes de Engenharia Química e de áreas correlatas. Se você está curtindo essa postagem, siga-nos através de nossas paginas nas redes sociais e compartilhe com seus amigos para eles curtirem também :)




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