Descoberto por Karl Friedrich Mandelin em 1883, o reagente de Mandelin é uma solução que pode ser usada para testar uma variedade bem ampla de medicamentos e drogas, que são conhecidos como alcalóides.
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| Frasco com o Reagente de Mandelin |
Os alcalóides são uma grande classe de compostos de ocorrência natural com estruturas complexas que geralmente incluem um anel heterocíclico contendo nitrogênio. Algumas famílias desses alcalóides incluem atrofina, codeína, cafeína, cocaína, heroína, morfina, nicotina, quinina e estricnina.
O reagente de Mandelin é geralmente usado como um simples teste para identificar presumivelmente anfetaminas e alcalóides, bem como outros compostos.
Função e Identificação de Substâncias
Nesta seção, são apresentados os principais usos do Reagente de Mandelin como teste colorimétrico presuntivo. O objetivo é explicar de forma prática quais tipos de substâncias podem gerar reações visíveis, como interpretar mudanças de cor comuns e por que os resultados devem sempre ser avaliados com cautela, especialmente quando há possibilidade de adulterantes ou misturas desconhecidas.
Para que é utilizado o reagente de Mandelin?
Ele serve como um teste presuntivo para identificar alcaloides e anfetaminas. O teste ajuda a triar amostras rapidamente em campo ou em ambientes de redução de danos antes de análises mais complexas.
Que cor o reagente de Mandelin assume com a Ketamina?
A ketamina é uma das principais substâncias testadas com o Mandelin, sendo este o seu reagente secundário padrão. A reação produz tons que variam do laranja ao laranja-escuro.
Como o Mandelin reage com o MDMA (Êxtase)?
A reação com o MDMA puro é rápida e intensa. A cor muda para um azul-escuro e passa imediatamente para o preto.
O reagente de Mandelin detecta cocaína?
Sim. Quando em contato com a cocaína, o reagente tipicamente assume uma coloração verde-amarelada ou laranja-clara. Contudo, devido à possibilidade de adulterantes, ele deve ser usado combinado a outros reagentes (como o de Scott).
Funcionamento do Teste de Mandelin: Preparo e Resultados dos Testes
O reagente de Mandelin consiste basicamente em uma solução a 1 por cento de vandanato de amônio (NH4VO3) em ácido sulfúrico concentrado. Esse reagente é preparado pela adição de 100 mL de ácido sulfúrico concentrado (95-98%) a 1 g de vanadato de amônio. A manipulação exige extremo cuidado e uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) devido à alta corrosividade do ácido.
O teste de Mandelin é realizado raspando uma pequena quantidade da substância alcalóide e adicionando uma gota do reagente de Mandelin. Após a adição dessa gota, a amostra passa por uma sequência de mudanças de cor que ocorrem com o passar do tempo. Os resultados são analisados pela observação da cor da mistura resultante e pelo tempo que leva para que a mudança de cor se torne perceptível.
O resultado final da cor do teste é formado em 1-2 minutos após o desaparecimento de qualquer cor intermediária.
Os testes com diferentes substâncias produzem mudanças de cor características quando tratados com reagente de Mandelin. A ritalina, por exemplo, produz uma cor amarela, a heroína uma cor marrom e a metanfetamina uma cor verde.
A tabela abaixo mostra a cor final produzida depois que o reagente de Mandelin é adicionado a algumas substâncias comuns.
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| Tabela de cores do reagente de Mandelin |
Confiabilidade e Validade
Como todo teste presuntivo, o Mandelin apresenta limitações importantes. Nesta parte, são discutidos fatores que influenciam a confiabilidade dos resultados, como reações cruzadas, falsos positivos, degradação do reagente e condições de armazenamento. A intenção é deixar claro que a mudança de cor pode orientar uma triagem inicial, mas não deve ser interpretada como prova conclusiva.
O reagente de Mandelin é confiável?
Sua confiabilidade é limitada. Laboratórios internacionais de redução de danos alertam para um alto índice de falsos positivos com pós brancos comuns, como açúcar, aspirina e paracetamol. Por apresentar reações inespecíficas e cruzadas, ele tem sido progressivamente substituído por reagentes mais modernos e específicos (como o Morris para ketamina).
Qual é o tempo de prateleira (shelf life) do reagente de Mandelin?
O reagente possui vida útil curta. Ele dura entre 1 a 2 meses se armazenado em temperatura ambiente e protegido da luz. Se mantido no congelador, sua validade pode se estender por até 12 meses.
Por que o meu reagente de Mandelin ficou verde sozinho?
Isso ocorre devido à oxidação natural e degradação do composto ao longo do tempo. O reagente original possui uma coloração amarelada ou levemente avermelhada; a transição espontânea para o verde indica que ele estragou e perdeu a validade.
Onde Comprar e Kits de Teste
A escolha de um kit de teste deve considerar a procedência do fornecedor, a clareza das instruções, a validade do produto e a presença de informações de segurança. Esta seção reúne orientações gerais sobre onde esses kits costumam ser encontrados e como comparar diferentes opções, sem perder de vista que o uso responsável depende de armazenamento correto, interpretação cuidadosa e, quando necessário, confirmação por métodos laboratoriais.
Onde posso comprar um kit de teste Mandelin no Brasil?
Os kits de testagem rápida são comercializados em lojas virtuais especializadas em redução de danos, tabacarias (headshops) voltadas para o público canábico/psicodélico e em fornecedores de produtos químicos laboratoriais que vendem para pessoas físicas.
Qual é a diferença entre os reagentes Marquis e Mandelin?
O reagente de Marquis é o teste principal (primário) para o MDMA, reagindo com uma cor roxo-escura/preta e identificando também o Speed (anfetamina). Já o Mandelin atua frequentemente como um teste confirmatório secundário para o MDMA ou como a escolha principal para a detecção de Ketamina e triagem de PMA/PMMA.
Referências
- http://wwwchem.uwimona.edu.jm/courses/CHEM2402/Crime/Reagent_Kits.html (acessado em 24/07/2021 as 11:45)
- https://www.oxfordreference.com/view/10.1093/oi/authority.20110803100130223 (acessado em 24/07/2021 as 11:53)
- Forensic Chemistry, David E. Newton, Infobase Publishing, 2007
- A Dictionary of Chemistry, Jonathan Law, Richard Rennie, Oxford University Press, 2020.
- https://wou.edu/chemistry/home/student-activities-2/chemistry-corner/ketamine/ (acessado em 24/07/2021 as 12:13)
- https://cssdp.org/test-it-before-you-ingest-it/ (acessado em 24/07/2021 as 12:19).
- O'NEAL, C. L. et al. Validation of New Color Test Reagents for Illicit Drugs: Marqui, Mandelin, and Mecke Modifications. Journal of Forensic Sciences, v. 45, n. 1, p. 200-205, 2000.
- UNITED NATIONS OFFICE ON DRUGS AND CRIME (UNODC). Rapid Testing Methods of Drugs of Abuse. New York: United Nations, 1994.
- ENERGY CONTROL. Drug Test Reagents Guide. Barcelona: ABD, 2021.
- TRIP-SIT. Factsheet: Colorimetric Reagents and Drug Testing. Disponível em portais de redução de danos.
Sobre o autor
Olá meu nome é Pedro Coelho, eu sou engenheiro químico com Pós Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho e também sou Green Belt em Lean
Six Sigma. Além disso, eu conclui recentemente o curso de Engenharia Civil, e em parte de minhas horas vagas me dedico a escrever artigos aqui no ENGQUIMICASANTOSSP, para ajudar estudantes de Engenharia Química e de áreas correlatas. Se você está curtindo essa postagem, siga-nos através de nossas paginas nas redes sociais e compartilhe com seus amigos para eles curtirem também :)


2 Comentários de "Reagente de Mandelin: Teste de detecção de drogas e alcaloides "
como este reagente consegue avaliar a presença de esteroide anabolizante sendo que o EAS não é um alcaloide?
Olá anônimo
O reagente de Mandelin consegue detectar esteroides anabolizantes porque seu mecanismo não depende dos grupos amina nitrogenados típicos dos alcaloides, mas sim da reatividade do esqueleto de carbono do esteroide sob condições extremas de acidez e oxidação.
O processo se inicia com o ácido sulfúrico concentrado presente no reagente, que atua como um forte agente desidratante. Esse ácido protona os grupos hidroxila frequentemente encontrados no núcleo do esteroide, provocando a perda de moléculas de água e a formação de carbocátions altamente instáveis.
Essa instabilidade força rearranjos químicos espontâneos na estrutura de quatro anéis de carbono, gerando sistemas de ligações duplas alternadas. Em seguida, o metavanadato de amônio atua como um agente oxidante potente, onde os íons de vanádio interagem com essa estrutura rearranjada, estendendo ainda mais o sistema de elétrons e sofrendo redução química.
O resultado final dessa desidratação, rearranjo e oxidação combinados é a formação de íons orgânicos complexos com sistemas conjugados estendidos, que absorvem comprimentos de onda específicos da luz visível e produzem as variações de cores características do teste.
Espero ter ajudado
Um abraço
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