Esteroides anabolizantes: o que é, usos e efeitos colaterais

Os esteroides androgênicos anabólicos (EAA) conhecidos popularmente como anabolizantes, são drogas quimicamente relacionadas com a testosterona, que é um hormônio masculino que promove o crescimento muscular.

Existem centenas de variedades de esteroides anabolizantes que foram desenvolvidos por vários laboratórios, no entanto, apenas um número limitado foi aprovado para uso humano ou veterinário.

esteroides anabolizantes lado bom e ruim uso

Um Pouco da História dos Anabolizantes


A testosterona foi descoberta em 1934 pela equipe de pesquisadores da companhia farmacêutica holandesa Organon, que estava sob a direção do químico Ernst Laqueur. A primeira síntese foi anunciada meses após sua descoberta pelos químicos Adolf Butenandt e Leopold Ružička, que obtiveram a testosterona a partir do colesterol.

leopold ruzicka adolf-butenandt sintese testosterona
Adolf Butenandt (a direita) e Leopold Ružička (a esquerda) ganharam o premio Nobel de Química pela síntese da testosterona em 1939
No começo, a testosterona sintética foi usada para ajudar a tratar os homens que eram incapazes de produzir o suficiente do hormônio para o crescimento normal, desenvolvimento e funcionamento sexual.

No entanto, durante o período da Segunda Guerra Mundial, verificou-se que esta forma artificial de testosterona poderia ser usada para ajudar os soldados desnutridos a ganhar peso e a melhorar o seu desempenho em combate. Depois da Segunda Grande Guerra, os atletas também começaram a usar esteroides para melhorar o seu desempenho em competições.

Nos Jogos Olímpicos de 1956, os atletas soviéticos, principalmente os lutadores, começaram a usar essa testosterona sintética, e tiveram uma melhora absurda no seu desempenho. Após saber disso, o médico americano John Zeigler desenvolveu a Dianabol, que é um esteróide anabolizante que foi usado por atletas americanos nos anos 60.

No começo dos anos 70, os esteroides anabolizantes se tornaram muito populares entre os praticantes de musculação e atletas amadores.

Em 1975, o Comitê Olímpico Internacional, finalmente, proibiu o uso de esteroides nas competições olímpicas. No entanto, o mercado ilegal dessas substâncias só crescia e as vendas continuaram aumentando.

Em 1988, surge nos Estados Unidos a primeira regulamentação federal para penalizar quem vende ou porta esteroides anabolizantes.

No início dos anos 90, após a restrição de uso dessas substâncias nos Estados Unidos, diversas companhias farmacêuticas pararam de produzir ou comercializar esses produtos. Em contrapartida, surgiu um grande mercado repleto de drogas produzidas clandestinamente e de drogas falsificadas, como se nunca havia visto antes, utilizando computadores e internet para copiar as embalagens originais e comercializar.

Hoje em dia, uma grande variedade de esteroides anabolizantes foi proibida em vários países, e alguns tipos destes só podem ser comprados com a receita médica devidamente assinada pelo médico que receitou.

O que é a Testosterona?


A testosterona é um esteróide androgênico anabólico (EAA) que pode ser encontrado em mamíferos, répteis, anfíbios, aves, peixes (em uma forma um pouco diferente), e outros vertebrados. 

O termo anabólico é derivado da palavra anabolismo, que se refere ao processo pelo qual as células vivas convertem os compostos químicos relativamente simples, tais como açúcares e aminoácidos, para compostos orgânicos mais complexos, tais como carboidratos e proteínas.

A fórmula molecular da testosterona é C19H28O2, e a sua fórmula estrutural é a que está sendo apresentada na figura abaixo. O seu nome químico sistemático é (8R, 9S, 10R, 13S, 14S, 17S) -17hidroxi-10,13dimetil-1,2,6,7,8,9,11,12,14,15,16,17-dodecahidrociclopenta[a] fenantren-3-ona, e comercialmente possui uma variedade muito grande de nomes.
formula estrutura quimica testosterona
Estrutura química da Testosterona
A testosterona é um membro da família de compostos bioquímicos. Todos os esteroides compartilham uma estrutura núcleo em comum, que consiste basicamente de quatro anéis aromáticos, que é conhecida como núcleo gonano (Dependendo do arranjo espacial dos quatro anéis, a estrutura pode também ser chamada de núcleo esterano). Abaixo podemos ver a estrutura química do gonano:

estrutura quimica gonano ciclopentanoperidrofenantreno
Estrutura química do núcleo gonano (ciclopentanoperidrofenantreno)

As estruturas dos esteroides se diferem umas das outras com base nos átomos e nos grupos de átomos que tenham sido substituídos por um ou mais átomos de hidrogênio no sistema ciclopentanoperidrofenantreno.

Comparando, por exemplo, a fórmula da testosterona e a do colesterol, vemos que ambos contêm o núcleo ciclopentanoperidrofenantreno e são, portanto, esteroides. Na testosterona, vemos que ela tem um grupo hidroxila (OH-) ligado a uma extremidade do núcleo gonano e um oxigênio ligado duplamente na outra extremidade.

Já no colesterol, notamos que ele também possui um grupo hidroxila numa das extremidades do núcleo ciclopentanoperidrofenantreno, mas diferentemente da testosterona, ele possui uma cadeia longa de sete átomos de carbono na outra extremidade do núcleo gonano.
formula estrutura quimica colesterol
formula da estrutura química do colesterol

Compostos derivados da testosterona


A molécula de testosterona tem dois pontos de atividade química. Um deles é o grupo hidroxila (OH-) em uma das extremidades da molécula, e o outro é o grupo carbonila que está na outra extremidade.

Essas duas extremidades são fortemente reativas, e quando reagem com outras substâncias formam os derivados da testosterona. Por exemplo, quando a maioria dos ácidos reage com o grupo hidroxila da testosterona, podem formar um produto que é conhecido como acetato de testosterona (ou éster de testosterona).

Um derivado de testosterona que é bastante usado na área médica é o enantato de testosterona, que é um medicamento injetável à base de óleo que é muito eficaz para a construção de tecido muscular e é muito utilizado para tratar hipogonadismo (deficiência na produção de hormônios sexuais) e outros distúrbios causados pela deficiência de hormônios androgênicos.

Outro grupo comum de derivados da testosterona consiste de compostos que tem um grupo alquila, que é basicamente um radical de hidrocarboneto, podendo o mesmo ser um metil (-CH3), um etil (C2H5), ou um propil (C3H7).

A adição de um grupo metil na hidroxila da testosterona, por exemplo, produz a metil testosterona, um composto que é utilizado para o tratamento de pessoas que não têm níveis adequados de testosterona no sangue.

Outros dois compostos com composição próxima a da testosterona também são usados para produção de seus derivados: dihidrotestosterona (DHT) e nortestosterona. O DHT tem dois hidrogênios a mais do que a testosterona, e a nortestosterona tem um átomo de carbono a menos do que a própria.

formula estrutura quimica dihidrotestosterona nortestosterona
Estrutura química da dihidrotestosterona e da nortestosterona

Devido a grande semelhança da estrutura química, o DHT e nortestosterona também podem sofrer alquilação e esterificação como a testosterona pura. Além disso, esses compostos possuem características físicas, químicas e propriedades farmacológicas próximas a da testosterona pura.

No entanto, as propriedades androgênicas e anabólicas podem ser mais fracas ou mais fortes do que a da testosterona pura.

Além disso, os esteroides anabolizantes e androgênicos podem ter uso médico legítimo, mas também trazem riscos importantes, especialmente quando usados fora de indicação e sem acompanhamento. Abaixo, organizo as dúvidas mais comuns por substância, com foco em o que elas são, para que servem na medicina e quais são os principais riscos.

Testosteronas e ésteres


Nesta categoria entram as diferentes formas de testosterona usadas em formulações injetáveis, nas quais o éster determina principalmente a velocidade de liberação e a duração do efeito no organismo. Embora possam ter indicação médica em casos de deficiência hormonal comprovada, o uso sem acompanhamento aumenta riscos como supressão hormonal, alterações cardiovasculares, acne, queda de cabelo e desequilíbrios metabólicos.

Cipionato de testosterona


Cipionato de testosterona: esse composto tem a mais longa cadeia lateral (grupo cipionato) do que qualquer outro éster de testosterona, por esse motivo, o corpo acaba levando um longo período de tempo (cerca de duas semanas) para completar sua metabolização e apresentar seus efeitos no organismo.
formula estrutura quimica cipionato de testosterona
Estrutura química do cipionato de testosterona (C27H40O3)

Por ser uma forma de testosterona de ação prolongada, essa forma de testosterona é usada em contextos médicos de reposição hormonal; seu efeito é gradual, porque o éster libera o hormônio ao longo do tempo. Em materiais de referência, a meia-vida é descrita em torno de 10 a 12 dias, o que ajuda a explicar por que ele não “bate” de um dia para o outro.

Duvidas mais comuns:

Serve para ganhar massa muscular?” Pode aumentar massa e força em quem usa testosterona exógena, mas esse é um uso não médico e traz riscos relevantes; em medicina, ele é indicado para deficiência comprovada de testosterona.

Quanto tempo demora para fazer efeito?” Por ser um éster longo, costuma levar alguns dias a semanas para produzir efeito mais perceptível, não sendo uma substância de ação imediata.

Qual a diferença entre cipionato e Durateston?” O cipionato é um único éster de testosterona; Durateston é uma mistura de ésteres de testosterona, o que muda a velocidade de liberação e a dinâmica de aplicação.

Principais efeitos colaterais?” Entre os mais preocupantes estão acne, alterações de humor, retenção de líquido, piora do perfil lipídico, supressão da produção natural de testosterona e outros efeitos hormonais.

Undecanoato de testosterona


Undecanoato de testosterona: esse composto foi desenvolvido pela Organon na década de 1980. Em comparação com outros derivados da testosterona, ele possui efeitos anabólicos relativamente suaves e efeitos androgênicos.

formula estrutura quimica undecanoato testosterona
Estrutura química do undecanoato de testosterona(C30H48O3)

O undecanoato de testosterona é outra formulação de testosterona de longa duração, usada principalmente para reposição hormonal masculina quando há deficiência comprovada. Por ser de ação prolongada, costuma ser aplicado em intervalos maiores do que ésteres curtos.

Duvidas mais comuns:

Para que serve?” Serve para terapia de reposição de testosterona em casos médicos específicos, não como suplemento de performance.

 “Serve para ciclar na musculação?” Não é uso médico e não é uma forma segura de “ciclo”; o uso estético aumenta risco cardiovascular, hormonal e dermatológico.

 “De quanto em quanto tempo se toma Nebido?” Na prática clínica, as aplicações são espaçadas, porque o composto é de liberação lenta; o intervalo exato depende do protocolo médico e da resposta individual.

 “Retém muito líquido?” Pode haver retenção hídrica com testosterona exógena, mas a intensidade varia; o risco aumenta quando há doses altas e uso sem controle.

Heptilato de testosterona


Heptilato de testosterona: esse composto tem um forte efeito anabólico, e como desvantagem possui efeitos androgênicos excessivos.
formula estrutura quimica heptilato testosterona
Estrutura química do heptilato de testosterona( C26H40O3)

O heptilato de testosterona é um éster da testosterona ligado a uma cadeia heptanoato, criado para liberar o hormônio de forma mais lenta. Hoje ele é bem menos comum do que outras formulações mais usadas na prática.

Duvidas mais comuns:

O que é?” É simplesmente uma forma esterificada de testosterona com liberação prolongada.

Ainda é fabricado?” É raro e pouco encontrado em comparação com cipionato, enantato e undecanoato; a disponibilidade atual depende do mercado local.

Qual a meia-vida?” Fontes populares sobre ésteres longos costumam colocá-lo na faixa de dias a mais de uma semana, mas a informação varia conforme a formulação e o veículo da aplicação.


Orais de alta intensidade


Os esteroides orais de alta intensidade costumam chamar atenção por efeitos rápidos sobre força, peso corporal ou aparência muscular, mas também estão entre os que mais exigem cautela. Muitos são modificados para resistir ao metabolismo hepático, o que aumenta a sobrecarga no fígado e pode piorar colesterol, pressão arterial e outros marcadores de saúde.

Fluoximesterona


Fluoximesterona: esse composto se difere da testosterona em três posições no núcleo gonano com a presença de um átomo de flúor. Ele possui efeito considerável no aumento de força e resistência, mas não é muito eficaz para a construção de tecido muscular. A presença do átomo de flúor também o torna tóxico ao fígado, devido a isso, ele só pode ser usado em pequenas quantidades.

formula estrutura quimica fluoximesterona
Estrutura química da fluoximesterona(C20H29FO3)

A fluoximesterona, conhecida como Halotestin, é um oral muito androgênico e pouco anabólico, usado mais para aumento de força do que para ganho volumoso de massa. Por ser 17-alfa-alquilado, é considerado muito agressivo para o fígado.

Duvidas mais comuns:

Para que serve no fisiculturismo?” É procurado por quem quer força e dureza muscular em fases curtas, especialmente pré-competição.

Aumenta muito a agressividade?” Sim, esse é um efeito frequentemente associado ao composto, junto com maior impulsividade em alguns usuários.

Danos para o fígado?” O risco hepático é um dos principais problemas, com potencial de hepatotoxicidade importante por ser um oral 17-alfa-alquilado.

Aumenta a força imediatamente?” Pode dar percepção relativamente rápida de aumento de desempenho, mas “imediatamente” não é a melhor descrição; o efeito depende de dose, tempo e contexto de uso.

Oxandrolona


Oxandrolona: esse composto foi desenvolvido por Raphael Pappo em 1964 enquanto trabalhava na Searle Laboratories. A oxandrolona é receitada para o ganho de peso em pacientes que perderam peso como resultado de cirurgia, lesão ou doença grave. Os efeitos androgênicos e anabólicos desse composto são relativamente leves, mas tendem a ser eficazes na redução do teor de gordura no corpo.

formula estrutura quimica oxandrolona
Estrutura química da oxandrolona (C19H30O3)

A oxandrolona é um esteroide oral usado na medicina em situações como perda de peso, catabolismo e recuperação em algumas doenças, mas o uso estético não é isento de risco. Ela pode ajudar em ganho de massa magra e recuperação, porém também pode afetar fígado e colesterol.

Duvidas mais comuns:

Emagrece ou ganha massa?” Ela não é um “emagrecedor”; pode ajudar a preservar ou aumentar massa magra, o que indiretamente melhora a composição corporal.

Dose segura para mulheres?” Não existe dose “segura” para fins estéticos; mesmo doses baixas podem causar virilização e alterações metabólicas.

Pode beber cerveja?” Misturar com álcool aumenta a preocupação com o fígado e não é uma combinação recomendada.

Causa queda de cabelo e acne?” Sim, esses efeitos são descritos, além de alterações de voz e virilização em mulheres.

Oximetolona


Oximetolona: esse composto é um dos esteroides anabolizantes que é derivado do DHT. A oximetolona é considerada atualmente como o mais poderoso de todos os esteroides, pois ela possui efeitos anabólicos bem consideráveis e efeitos androgênicos. No entanto, esse composto é o único esteroide anabólico androgênico que é classificado como um possível carcinogênico (causador de câncer).

formula estrutura quimica oximetolona
Estrutura química da oximetolona (C21H32O3)

A oximetolona, conhecida como Hemogenin, é um oral muito potente e associado a aumento rápido de peso e força, mas também a retenção hídrica e toxicidade. É uma das opções mais problemáticas do ponto de vista hepático.

Duvidas mais comuns:

Engorda ou retém muito líquido?” Pode causar aumento de peso rápido, e boa parte disso pode vir de retenção hídrica.

Em quantos dias começa a dar resultado?” Como oral potente, os efeitos podem ser percebidos cedo, mas o tempo exato varia bastante.

É muito tóxica para o fígado?” Sim, o risco hepático é importante e exige cautela extrema.

Como tomar antes do treino?” Não posso orientar uso, dose ou esquema para fins de performance; esse tipo de orientação aumenta o risco de dano e não é um uso médico.

Trembolonas


As trembolonas são conhecidas por sua potência e por um perfil de efeitos adversos mais intenso do que o de muitos outros anabolizantes. Por isso, esta seção deve ser lida com atenção especial: além dos impactos hormonais, há preocupação com alterações de humor, sono, pressão arterial, função sexual e tolerância ao exercício.

Trembolona


Trembolona: esse composto é um derivado da nortestosterona que possui uma forte tendência para promover a retenção de nitrogênio no tecido muscular, que é a chave para promover o desenvolvimento de novo tecido muscular. Acredita-se que o composto também atue como uma substância anticatabólica que bloqueia a ação dos glucocorticóides (tais como o cortisol), e que o mesmo também possa promover a ação da substância que promove o crescimento, denominada fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 (IGF I).

formula estrutura quimica trembolona
Estrutura química da trembolona (C18H22O2)

A trembolona é um dos anabolizantes mais temidos por combinar forte ação anabólica com alto risco de efeitos colaterais sistêmicos, incluindo alterações no sono, humor, pressão, libido e tolerância ao exercício. Ela é frequentemente descrita como uma substância de perfil agressivo e difícil de manejar.

Duvidas mais comuns:

Por que é considerada perigosa?” Porque os efeitos adversos podem ser intensos e múltiplos, envolvendo sistema cardiovascular, psicológico, endócrino e sexual.

O que é a tosse da trembolona?” É uma reação aguda logo após a aplicação, associada à injeção intramuscular e ao contato de partículas/veículo com a circulação; costuma ser breve, mas assustadora.

Causa disfunção erétil?” Pode haver queda de libido e disfunção sexual em alguns usuários, especialmente por supressão hormonal e desequilíbrio neuroendócrino.

Afeta o psicológico e a ansiedade?” Sim, há relatos de irritabilidade, ansiedade, insônia e piora do controle emocional.

Enantato de trembolona


Enantato de trembolona: esse composto é um dos derivados da testosterona que possui poucas alterações no núcleo gonano, mas nenhuma alteração no grupo hidroxila e carbonila. Esse composto é um poderoso anabólico, que faz com que a capacidade de construção muscular aumente cerca de cinco vezes. No entanto, ele possui efeitos colaterais graves, tais como danos no fígado e no coração.


formula estrutura quimica enantato trembolona
Estrutura química do enantato de trembolona (C25H34O3)

O enantato é a forma de liberação mais lenta da trembolona, enquanto o acetato é mais curto e de ação mais rápida. A diferença entre eles é o éster ligado à molécula, que muda a velocidade de absorção e a duração no organismo.

Duvidas mais comuns:


Diferença entre acetato e enantato?” O acetato age mais rápido e sai mais rápido; o enantato dura mais tempo e exige menos aplicações, mas demora mais para estabilizar.

 “Quantas vezes por semana devo aplicar?” Não posso orientar esquemas de uso para fins estéticos; em termos conceituais, o enantato requer menos frequências que o acetato por ter liberação lenta.

Demora quanto tempo para bater?” A forma enantato costuma levar mais tempo para mostrar efeitos estáveis do que o acetato, justamente pela liberação gradual.

Outros clássicos


Além das testosteronas, dos orais mais agressivos e das trembolonas, há compostos clássicos que aparecem com frequência em conversas sobre estética, definição muscular, articulações e performance. Apesar da popularidade, eles também têm indicações médicas específicas e riscos relevantes quando usados fora de prescrição, especialmente em combinações ou por períodos prolongados.

Estanozolol


Estanozolol: O estanozolol, também conhecido como Winstrol ou Stano, é um derivado da DHT. Esse composto possui uma estrutura química diferente, contendo o seu quinto anel ligado ao núcleo gonano. Esta configuração faz com que a molécula seja mais estável no organismo, tornando-a capaz de permanecer durante mais tempo na corrente sanguínea. Também não pode ser atacado por aromatase e, por isso, não pode ser convertido em hormônio sexual feminino, eliminando a possibilidade de ginecomastia.

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Estrutura química da estanozolol (C21H32N2O)

O estanozolol é um anabolizante usado por quem busca aparência mais “seca”, mas ele não “seca” gordura por si só; o que ocorre é melhora de composição corporal em contexto de dieta e treino. Ele também é conhecido por piorar lipídios e gerar desconforto articular em algumas pessoas.

Duvidas mais comuns:

Serve para secar e definir?” Ele é associado a esse objetivo estético, mas o efeito depende sobretudo de dieta, treino e uso de outras substâncias; não é um queimador de gordura.

Comprimido é pior que injetável?” Ambos trazem riscos; a via oral tende a ser mais agressiva para o fígado por ser 17-alfa-alquilada.

Causa muita dor nas articulações?” Pode causar ou piorar dores articulares, em parte pela alteração do equilíbrio entre massa, água e tecidos conjuntivos.

Efeitos em mulheres?” Há risco de virilização, como voz grossa, acne, crescimento de pelos e alterações menstruais.

Deca Durabolin


Deca Durabolin: esse composto é um éster decanóico da nortestosterona, que é popularmente conhecido como "Deca". A Deca é um esteroide anabolizante que tem sido usado com sucesso no tratamento de pacientes que sofrem com o vírus do HIV. Além disso, esse composto é bem popular entre os levantadores de peso e fisiculturistas como uma substância confiável para o ganho de peso.


formula estrutura quimica deca durabolin
Estrutura química da deca durabolin (C28H44O3)

A Deca Durabolin é o nome comercial do decanoato de nandrolona, e não é testosterona. Ela é usada na medicina em situações catabólicas, anemia por insuficiência renal e osteoporose, entre outras indicações específicas.

Duvidas mais comuns:

Deca Durabolin é testosterona?” Não. É nandrolona, um esteroide diferente da testosterona.

Para que serve na medicina?” É usada em quadros de perda de tecido, osteoporose e algumas anemias, conforme indicação médica.

Ajuda a curar dor nas articulações e tendões?” Algumas pessoas relatam melhora de sintomas, mas isso não significa cura; o uso sem indicação médica pode mascarar lesões e trazer riscos.

Precisa tomar testosterona junto?” Em contextos de uso estético, esse tema aparece porque a nandrolona pode suprimir o eixo hormonal; em medicina, isso deve ser decidido por médico, não por automedicação.

Uso médico de anabolizantes


Os esteroides androgênicos anabólicos podem ser legalmente prescritos para tratar problemas causados pela deficiência de esteroides, como por exemplo, a puberdade atrasada e as doenças que resultam em perda de massa muscular magra, como câncer e AIDS.

No corpo humano, eles estimulam o crescimento de vários tipos de tecidos, especialmente ossos e músculos. Eles frequentemente são usados através de injeção, utilizando uma agulha para injetar o medicamento diretamente para a corrente sanguínea (por via intravenosa) ou no músculo (por via intramuscular).

Além disso, também existem os comprimidos de esteroides que podem ser tomados por via oral, e os esteroides em formato de creme, que são usados diretamente na pele

Medicamente, os esteroides são geralmente usados para tratar:

  • Puberdade atrasada em adolescentes do sexo masculino;
  • Hipogonadismo e impotência em homens;
  • Câncer de mama em mulheres;
  • Anemia;
  • Osteoporose;
  • Perda de peso causada pelo vírus do HIV;
  • Endometriose;
  • Outras condições relacionadas ao desequilíbrio hormonal.

    Efeitos colaterais e os Riscos de doenças causadas pelos anabolizantes


    Os esteroides anabolizantes possuem diversos efeitos colaterais associados com o seu abuso, pois o seu uso pode provocar a alteração na produção hormonal normal do corpo. 

    A maioria dos efeitos colaterais pode ser revertida se o uso for interrompido, porém, alguns efeitos, como a voz mais grossa em mulheres, podem persistir devido ao desequilíbrio hormonal.

    Abaixo, eu explico cada um dos efeitos colaterais mais comuns, com base em mecanismos fisiológicos comuns observados em seu uso abusivo.

    Efeitos Dermatológicos


    Acne grave, pele e cabelos oleosos: Os anabolizantes estimulam as glândulas sebáceas a produzir mais sebo, obstruindo poros e causando acne severa no rosto, costas e peito; isso ocorre pela ação androgênica excessiva.

    Perda de cabelo: A conversão em di-hidrotestosterona (DHT) acelera a calvície androgenética, miniaturizando folículos pilosos em indivíduos predispostos.

    Danos a Órgãos Internos


    Doença hepática, como tumores hepáticos e cistos: Formas orais são tóxicas ao fígado, promovendo peliose hepática (cistos sanguíneos) e tumores benignos ou malignos por estresse metabólico.

    Doença renal: A hipertensão e desidratação crônica sobrecarregam os rins, podendo levar a insuficiência renal ou proteinúria.

    Doenças cardíacas, como ataques cardíacos e derrames: Elevam o colesterol LDL e reduzem HDL, hipertrofiam o ventrículo esquerdo e favorecem trombose, aumentando risco cardiovascular.

    Alterações Psicológicas


    Alterações de humor, irritabilidade, aumento da agressividade, depressão ou tendências suicidas: Interferem em neurotransmissores como serotonina e dopamina, causando "roid rage" (raiva explosiva), ansiedade ou depressão pós-ciclo.

    Desequilíbrios Lipídicos e Pressão


    Alterações nos níveis de colesterol e outros lipídeos no sangue: Suprimem HDL ("colesterol bom") e elevam LDL, promovendo aterosclerose.

    Pressão alta: Retenção de sódio e água, além de vasoconstrição, eleva a pressão arterial sistêmica.

    Efeitos em Homens


    Ginecomastia: Conversão em estrogênio (aromatização) estimula tecido mamário, causando aumento das mamas.

    Encolhimento dos testículos: Suprime produção natural de testosterona via feedback negativo no eixo hipotálamo-hipofisário, atrofiando testículos.

    Azoospermia: Reduz espermatogênese, levando a ausência de espermatozoides e infertilidade temporária ou permanente.

    Infertilidade masculina: Resulta da combinação de atrofia testicular e desequilíbrio hormonal prolongado.

    Efeitos em Mulheres


    Irregularidades menstruais: Desregula o eixo ovariano, causando amenorreia ou ciclos anovulatórios.

    Cabelo facial ou corporal em excesso, voz mais grave: Androgênios excessivos induzem hirsutismo e engrossamento vocal por hipertrofia laríngea (muitas vezes irreversível).

    Alargamento do clitóris: Hipertrofia clitoriana por ação androgênica direta no tecido genital.

    Redução mamária: Atrofia do tecido adiposo mamário por efeitos antiestrogênicos.

    Impactos em Adolescentes


    Parada prematura de crescimento; Atraso de crescimento e altura: Fecham precocemente as epífises ósseas via maturação acelerada, limitando estatura final.

    Riscos de Injeção


    Risco de infecções virais ou bacterianas devido a injeções não esterilizadas: Agulhas contaminadas transmitem HIV, hepatite B/C ou abscessos locais.

    Recuperação e Exames Pós-Ciclo (TPC)


    Após ciclos (tipicamente 8-12 semanas), o eixo HHG fica suprimido, exigindo Terapia Pós-Ciclo (TPC) para restaurar homeostase hormonal. 

    Protocolos envolvem moduladores seletivos de receptores estrogênicos (SERMs) como tamoxifeno (20-40 mg/dia) e agonistas de GnRH como hCG (1.500-5.000 UI, 3x/semana por 2-3 semanas), seguidos de clomifeno para estimular LH/FSH .

    Exames de sangue recomendados (pré, durante e pós-ciclo):

    • Hormonais: Testosterona total/livre, estradiol (E2), LH, FSH, prolactina.
    • Hepático: ALT, AST, GGT, bilirrubinas.
    • Renal: Creatinina, ureia, clearance de creatinina.
    • Lipídico: Colesterol total, HDL/LDL, triglicerídeos.
    • Hemograma: Hematócrito (risco de policitemia >50%).

    Monitore a cada 4-6 semanas; normalize antes de novos ciclos .

    Diferenciação e Uso Médico


    Diferença entre corticosteroides e anabolizantes: Corticosteroides (ex.: hidrocortisona, prednisona) são glicocorticoides derivados do cortisol, com ação anti-inflamatória via inibição de NF-κB e redução de citocinas. EAA são androgênios que ativam AR para anabolismo proteico. 

    Estruturalmente, diferem na posição 11β-hidroxila (ausente em EAA) . Confusão comum: ambos são "esteroides", mas efeitos opostos (catabólicos vs. anabólicos).

    Indicações médicas legais: Prescritos para hipogonadismo primário/secundário (reposição de testosterona em <300 ng/dL), caquexia por HIV/câncer (oxandrolona 2,5-20 mg/dia), anemia aplástica e atraso puberal. No Brasil, via SUS ou receita controlada (undecanoato de testosterona) .

    Estética e Performance


    Perda de gordura abdominal? Não diretamente. EAA aumentam taxa metabólica basal (+10-15%) via hipertrofia muscular, mas não mobilizam gordura visceral. Paradoxalmente, excesso de adiposidade converte testosterona em estradiol via aromatase (CYP19A1), agravando ginecomastia e estrogênio elevado . Para lipólise, combine com déficit calórico e inibidores de aromatase (ex.: anastrozol).

    Principais derivados da testosterona:

    • Oxandrolona (Anavar): 17α-alquilado, baixo androgênico; usado em cutting (perda de gordura com preservação muscular).
    • Estanozolol (Winstrol): DHT-derivado, não aromatiza; melhora vascularização, mas hepatotóxico.
    • Trembolona: Nandrolona-derivado, alta afinidade AR (3x testosterona); extrema retenção de nitrogênio, mas cardiotóxica e progestagênica .

    Em performance, ganhos de 5-10 kg de massa magra em 12 semanas, mas com 20-30% de perda pós-ciclo sem TPC.

    Dependência química causada pelos anabolizantes


    A dependência química causada pelo abuso de anabolizantes é bem diferente da causada por outros tipos de drogas, pois eles não apresentam os mesmos efeitos agudos no cérebro. A grande diferença entre os anabolizantes e outras drogas é que eles não desencadeiam o aumento rápido de dopamina, que é o neurotrasmissor responsável pela elevada sensação recompensadora que impulsiona o abuso.

    No entanto, o uso a longo prazo pode afetar algumas vias cerebrais e a produção de substâncias químicas (incluindo a dopamina, a serotonina, e sistemas de opióides) e, consequentemente, isso pode causar um impacto significativo sobre o humor e o comportamento do dependente.

    O abuso de esteroides anabolizantes pode levar o dependente a ser mais agressivo ou a ter outros problemas psiquiátricos, como por exemplo, oscilações extremas de humor, surtos de raiva, ciúme paranoico, irritabilidade extrema, delírios e julgamento prejudicado, decorrente de sentimentos de invencibilidade.

    Quando o dependente fica em abstinência, ele pode apresentar sintomas como alterações de humor, fadiga, inquietação, perda de apetite, insônia, diminuição da libido, desejo de tomar mais esteroides, e depressão.

    Em casos graves de dependência, os tratamentos e as intervenções médicas podem ser necessários para diminuir a dependência do anabolizante e permitir que o sistema hormonal natural possa se restaurar.

    Nesses tratamentos, os antidepressivos podem ser prescritos para tratamento de episódios depressivos, e os analgésicos, como paracetamol ou ibuprofeno, podem ser usados para dores de cabeça, dores musculares e articulares.

    Infelizmente, a dependência química de anabolizantes ainda não é encarada como um problema sério, pois essas drogas não possuem o mesmo poder destrutivo de outras como cocaína ou metanfetamina. No entanto, os mesmos podem causar sérias consequências à saúde.

    Proibição e Controle de uso no Brasil


    No Brasil, a compra desse tipo de substância para uso humano em farmácias ou drogarias, só pode ser feita mediante a apresentação e retenção da cópia carbonada de receita emitida por médico (ou dentista) devidamente registrado no respectivo conselho profissional (LEI No 9.965, DE 27 DE ABRIL DE 2000).

    Além disso, existem algumas substâncias anabólicas, que são proibidas pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) de serem comercializadas no Brasil.

    Referências

    • http://www.cesar.umd.edu/cesar/drugs/steroids.asp (acessado em 21/12/2015 as 23:33)
    • http://www.drugs.com/article/anabolic-steroids.html (acessado em 21/12/2015 as 23:42)
    • http://www.drugabuse.gov/publications/drugfacts/anabolic-steroids (acessado em 21/12/2015 as 23:48)
    • http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9965.htm (acessado em 11/05/2016 as 17:00)
    • Steroids and Doping in Sports: A Reference Handbook, David E. Newton Ph.D.,2013.
    • http://global.britannica.com/biography/Adolf-Butenandt (acessado em 11/05/2016 as 17:02)
    • Pope HG et al. (2014). Adverse health consequences of performance-enhancing drugs. Drug Alcohol Depend. DOI: 10.1016/j.drugalcdep.2013.08.021.
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    • Riera-Escamilla A et al. (2022). AAS and male infertility. World J Mens Health. DOI: 10.5534/wjmh.210203.
    • Franke WW et al. (2018). Virilization in female athletes. Br J Sports Med. PMID: 29440058.
    • Rahnema CD et al. (2014). Post-cycle therapy review. Curr Opin Endocrinol Diabetes Obes. DOI: 10.1097/MED.0000000000000094.
    • Handelsman DJ (2019). Blood tests for AAS users. Clin Endocrinol. DOI: 10.1111/cen.13996.
    • Bhasin S et al. (2006). Testosterone vs. glucocorticoids. N Engl J Med. DOI: 10.1056/NEJMra041583.
    • Brazil ANVISA (2023). RDC 784/2023: Controlled substances.
    • Cohen J et al. (2020). Aromatase in obesity and AAS. Obesity Rev. DOI: 10.1111/obr.13002.
    • Yarrow JF et al. (2011). Trenbolone pharmacology. Steroids. DOI: 10.1016/j.steroids.2010.10.005.

    Sobre o autor


    Pedro CoelhoOlá meu nome é , eu sou engenheiro químico com Pós Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho e também sou Green Belt em Lean Six Sigma. Além disso, eu conclui recentemente o curso de Engenharia Civil, e em parte de minhas horas vagas me dedico a escrever artigos aqui no ENGQUIMICASANTOSSP, para ajudar estudantes de Engenharia Química e de áreas correlatas. Se você está curtindo essa postagem, siga-nos através de nossas paginas nas redes sociais e compartilhe com seus amigos para eles curtirem também :)

    3 Comentários de "Esteroides anabolizantes: o que é, usos e efeitos colaterais"

    surfe99
    18 de fevereiro de 2020 às 14:20

    Bacana, estou pensando em um ciclo de testo + oxan

    Rafinha Maromba
    30 de janeiro de 2026 às 13:07

    É possível ter o "corpo de academia" sem usar esteroides? e quanto tempo leva para um anabolizante fazer efeito?

    Pedro Coelho
    31 de janeiro de 2026 às 20:15

    Olá Rafinha

    Sim, é possível conquistar um "corpo de academia”, com massa muscular definida e baixa gordura, sem esteroides anabolizantes, por meio de treinamento consistente de força (progressive overload), dieta hipercalórica controlada para bulking seguida de cutting, sono adequado e suplementos naturais como whey e creatina, respeitando o limite genético individual, que varia mas é alcançável em 2-5 anos de dedicação.

    Anabolizantes como testosterona ou nandrolona começam a fazer efeito visível em 2-4 semanas, com ganhos rápidos de força e massa (até 5-10 kg no primeiro ciclo), atingindo pico em 6-12 semanas, dependendo da dose, tipo e resposta individual.

    Espero ter sido claro

    Um abraço

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