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Estação elevatória de esgoto (EEE): Tipos e Como funcionam

Em um mundo onde condomínios modernos enfrentam terrenos desafiadores e redes de esgoto distantes, ignorar o poder de uma estação elevatória de esgoto pode significar transbordamentos catastróficos, multas ambientais pesadas e riscos à saúde de centenas de moradores.

Estação elevatória de esgoto (EEE): Tipos e Como funcionam

Imagine um sistema invisível, mas infalível, que transforma esgoto estagnado em fluxo eficiente, economizando energia, prevenindo odores nauseantes e garantindo conformidade com as normas mais rigorosas, tudo isso sem interromper sua rotina.

Descubra agora os principais tipos de estações elevatórias (submersíveis, secas e compactas) e como elas funcionam de forma integrada, revelando por que essa solução não é um luxo, mas uma necessidade estratégica para edifícios residenciais e comerciais no Brasil.

Como Funciona uma Estação Elevatória de Esgoto Residencial


As estações elevatórias de esgoto (EEE) bombeiam efluentes de áreas baixas ou planas para superar desníveis topográficos, transportando-os até redes coletoras ou estações de tratamento de esgoto ETE.

Uma EEE é um sistema essencial de grande importância em condomínios e edifícios onde a gravidade não é suficiente para o escoamento natural. 

Ela opera por meio de etapas integradas que captam, bombeiam, monitoram e descarregam o efluente de forma segura e eficiente, minimizando riscos ambientais e otimizando o consumo de energia. Veja abaixo o passo a passo detalhado.


Captação do esgoto


O esgoto sanitário produzido nos apartamentos, banheiros, cozinhas e áreas comuns do condomínio, como pias, vasos sanitários e tanques, é coletado por uma rede de tubulações internas e direcionado para um reservatório subterrâneo chamado poço de sucção.

Esse poço, geralmente dimensionado para armazenar de 1 a 5 metros cúbicos dependendo do porte do edifício, retém o efluente temporariamente, permitindo a sedimentação inicial de sólidos pesados e evitando o retorno de odores para o ambiente interno.

Bombeamento


Quando o nível do efluente no poço atinge um patamar mínimo predefinido (ativado por boias flutuantes ou sensores ultrassônicos), uma ou mais bombas submersíveis de alta durabilidade, tipicamente feitas de aço inoxidável ou materiais anticorrosivos, ligam automaticamente.

Elas geram pressão hidráulica para impulsionar o esgoto por tubulações de PVC ou PEAD até o destino final, que pode ser a rede pública de coleta a centenas de metros de distância ou uma estação de tratamento semi-execução (ETE) próxima. Esse processo garante fluxo contínuo mesmo em terrenos inclinados ou baixos.

Monitoramento e controle


Os painéis de controle automatizados, equipados com PLCs (Controladores Lógicos Programáveis), sensores de nível, pressão e fluxo, além de alarmes sonoros e visuais, supervisionam o sistema 24 horas por dia.

Eles acionam as bombas em ciclos otimizados, alternando entre unidades para evitar sobrecarga, e desligam-nas ao atingir o nível máximo, promovendo economia de até 30% em energia elétrica.

Em casos de falha, notificações remotas via SMS ou app alertam a manutenção, prevenindo transbordamentos e contaminações.

Descarga final


Após o bombeamento, o esgoto chega à rede coletora municipal ou diretamente a uma ETE, onde inicia o processo de tratamento primário (gradeamento e decantação), secundário (tratamento biológico) e terciário (desinfecção com cloro ou UV).

Isso assegura o descarte seguro, reduzindo poluentes como DBO e coliformes em mais de 90%, em conformidade com normas da ABNT NBR 12209 e legislações ambientais como a Resolução CONAMA 430.

Diferenças entre a estações elevatória e as estações de tratamento


As Estações Elevatórias de Esgoto (EEE) diferem-se das ETEs pois, enquanto estas realizam o tratamento químico ou biológico dos efluentes para remoção de poluentes, as EEEs focam no transporte do esgoto via recalque.

O sistema opera com o efluente chegando por gravidade ao poço úmido, ativando sensores de nível que acionam bombas submersas. Isso garante a continuidade do fluxo em terrenos onde a declividade natural não permite o escoamento por gravidade.

Tipos de Estações


Estações compactas, pré-fabricadas em fibra ou aço, atendem loteamentos e prédios sem gravidade na rua, com capacidade até 50 L/s e instalação rápida em 1-2 dias. Residenciais ou prediais de pequeno porte cabem em garagens/subsolos, usando bombas submersas de 1-5kW.

Tipos de estações elevatória de esgoto

Normas Técnicas e Projeto


A NBR 12208 define critérios para projeto de EEE de esgoto sanitário, incluindo dimensionamento de poços, tubulações e bombas com reserva obrigatória. Já a NBR 8160 regula sistemas prediais, exigindo bombas reserva em condomínios para vazões mínimas e alturas manométricas calculadas por:

Formula da Altura Manométrica Total

Sendo:

  • H: Altura Manométrica Total, que é o valor final (geralmente em metros de coluna d'água - m.c.a.) que define a escolha da bomba.
  • hg: Altura Geométrica (ou estática), que é o desnível real entre o nível do líquido no poço de sucção e o ponto mais alto da descarga.
  • hs: Perda de carga na sucção, que é referente a energia perdida pelo atrito e acessórios (válvulas, curvas) antes de o esgoto entrar na bomba.
  • hp: Perda de carga no recalque (tubulação de saída), que é a resistência encontrada pelo fluido ao longo de toda a tubulação de subida até o destino final.

O dimensionamento considera vazão de projeto (Q), diâmetro de recalque (DN 100-200 mm para compactas) e altura manométrica total, priorizando eficiência hidráulica e redundância. Os projetos devem prever gradeamento para sólidos e automação PLC.

Operação, manutenção, e impactos ambientais


A operação de uma estação elevatória de esgoto enfrenta desafios como os odores gerados por gases sulfídricos e metano acumulados no poço de bombeamento. 

Os Sistemas de Bombagem em Linha (SBL) resolvem isso selando as tubulações com vedações herméticas e ventilação forçada, eliminando emissões gasosas de forma eficaz.

Além disso, a limpeza regular do gradeamento remove resíduos como plásticos e fraldas, prevenindo obstruções que causam sobrecarga e queima de motores.

Na questão da manutenção, inspeções semestrais de selos mecânicos, testes de boias e lubrificação de componentes são essenciais, com paradas programadas para evitar extravasamentos. Monitore vibrações, corrente elétrica e temperatura para detectar falhas precocemente, prolongando a vida útil do equipamento.

Quanto aos impactos ambientais, essas estações podem emitir odores fétidos que afetam a qualidade do ar e a saúde comunitária, além de risco de extravasamento de efluentes brutos, contaminando solos, águas subterrâneas e corpos d'água com patógenos, nutrientes e metais pesados. 

O consumo elevado de energia contribui para emissões de CO₂, enquanto ruído e vibrações impactam a fauna e residentes próximos.

Para mitigar, instale biofiltros e lavadores de gases, sensores de nível com alarmes automáticos, bombas eficientes (classe IE4 ou superior) e energia renovável. Monitore periodicamente pH, DBO e coliformes, além de revegetar áreas adjacentes, garantindo conformidade com normas como NBR 12208/12209 (ABNT) e Resolução CONAMA 430/2011.

Curiosidades bem comuns das EEEs


EEE nem sempre ficam no subsolo; modelos compactos têm estrutura superficial em áreas menos densas, reduzindo ruído/visual. Além disso, a água pluvial não deve entrar na EEE, pois sobrecarrega bombas em chuvas, risco de overflow de esgoto bruto.

O recalque é o bombeamento pressurizado contra gravidade da cota baixa à alta; bombas submersas ficam imersas no poço para compactação e fácil troca. Como já foi mencionado anteriormente, as EEEs não tratam efluentes, apenas transportam para ETE.

Referências


  • https://www.ectas.com.br/post/esta%C3%A7%C3%A3o-elevat%C3%B3ria-de-esgoto-condom%C3%ADnio-saiba-como-funciona (acessado em 15/02/2026 as 19:18)
  • https://minitrat.com.br/estacao-elevatoria-de-esgotos-eee-o-que-e-e-como-funciona/ (acessado em 15/02/2026 as 19:23)
  • https://debatesaneamento.blogspot.com/2014/03/elevatorias-de-sistemas-de-esgotos.html (acessado em 15/02/2026 as 19:32)
  • https://www.aguaeefluentes.com.br/post/estação-elevatória-de-esgoto-aplicação-e-importância (acessado em 15/02/2026 as 19:35)
  • https://tegaengenharia.com.br/elevatoria-de-esgoto/ (acessado em 15/02/2026 as 19:42)
  • https://deltasaneamento.com.br/eee-estacao-elevatoria-de-esgotos/ (acessado em 15/02/2026 as 19:52)
  • https://cobiengenharia.com.br/blog/estacao-elevatoria-de-esgoto,-o-que-e-e-qual-sua-função (acessado em 15/02/2026 as 19:54)
  • https://www.boletimdosaneamento.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Operacao-e-manutencao-de-EEE_ReCESA_Nievl_1.pdf (acessado em 15/02/2026 as 20:03)
  • http://revistadae.com.br/artigos/artigo_edicao_185_n_1428.pdf (acessado em 15/02/2026 as 20:08)
  • https://www.waterandwastewater.com/pump-station-upgrades-enhance-municipal-water-supply-efficiency/ (acessado em 16/02/2026 as 10:12)

Sobre o autor


Pedro Coelho Olá meu nome é , eu sou engenheiro químico com Pós Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho e também sou Green Belt em Lean Six Sigma. Além disso, eu conclui recentemente o curso de Engenharia Civil, e em parte de minhas horas vagas me dedico a escrever artigos aqui no ENGQUIMICASANTOSSP, para ajudar estudantes de Engenharia Química e de áreas correlatas. Se você está curtindo essa postagem, siga-nos através de nossas paginas nas redes sociais e compartilhe com seus amigos para eles curtirem também :)

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