Os cupins são pragas urbanas notoriamente destrutivas, conhecidas principalmente por seu apetite insaciável por madeira. No entanto, o que muitos proprietários não sabem é que algumas espécies, como o temido cupim de concreto (geralmente uma referência ao Coptotermes gestroi, conhecido como cupim subterrâneo ou de solo), representam uma ameaça muito mais insidiosa.
Estes insetos não apenas atacam estruturas de madeira, mas possuem a capacidade de atravessar ou se mover por rachaduras, fendas e juntas de dilatação em alvenaria e estruturas de concreto para alcançar seu alimento.
Esta habilidade de transposição faz com que a infestação por cupim de concreto seja extremamente difícil de identificar em seus estágios iniciais e, consequentemente, complexa de erradicar.
A presença de túneis de terra (galerias ou "trilhas") na superfície do concreto ou na alvenaria é muitas vezes o primeiro sinal visível de uma colônia já estabelecida.
Com o objetivo de proteger a integridade estrutural e o valor de sua propriedade, este texto fornecerá um guia essencial para entender a natureza desta praga.
Exploraremos detalhadamente as melhores estratégias de eliminação de uma infestação ativa, bem como as medidas preventivas mais eficazes que devem ser implementadas para garantir a segurança e a longevidade do seu patrimônio contra o avanço silencioso e persistente do cupim de concreto.
Como os cupins de solo conseguem penetrar e sobreviver no concreto?
Os cupins de solo não possuem mandíbula forte nem propriedades químicas para digerir materiais à base de minerais como o concreto.
Eles conseguem penetrar e sobreviver em estruturas de concreto aproveitando microfissuras extremamente pequenas (com cerca de 0,5 mm), juntas de construção e pontos de passagem de serviços públicos, como tubulações.
Ao atingir a madeira, isolamento ou caixas próximas às paredes, eles estabelecem áreas de alimentação utilizando o concreto como proteção.
O concreto não é uma barreira infalível devido a vários fatores:
- Fissuras de retração e acomodação das estruturas que criam pequenas rachaduras.
- Juntas frias, que permanecem vulneráveis em interrupções da concretagem.
- Furos para tirantes de fôrma, quando não devidamente selados.
- Espaços deixados por tubulações de água, eletricidade e ar condicionado.
- Deterioração de materiais de preenchimento em juntas de dilatação.
Os cupins subterrâneos dos gêneros Coptotermes e Reticulitermes são os principais invasores. Eles constroem túneis finos feitos de terra, saliva e fezes para proteger a umidade, e esses túneis podem se estender por dezenas de metros ao longo das fundações até encontrarem madeira, pisos ou drywall.
Eles seguem sapatas da fundação pela laje, rastejam por placas de isolamento externas, usam juntas dilatadas degradadas como passagens e entram por paredes de alvenaria onde as juntas falham.
Dessa forma, os cupins exploram vulnerabilidades físicas das construções para alcançar seu alimento principal e permanecem protegidos no interior das estruturas, tornando a prevenção e o tratamento fundamentais para a preservação dos edifícios.
Condições ambientais necessárias para infestação de cupim de solo e como evita-las
Os cupins de solo necessitam de condições ambientais específicas para se desenvolverem, como temperatura constante entre 25 e 35 °C e alta umidade próxima da saturação (85-99%).
Eles criam essas condições dentro do concreto ao vedar rachaduras com uma argamassa úmida, permitindo a retenção da umidade; utilizam a capilaridade para transportar água do solo por meio de seus túneis; posicionam seus ninhos próximos a fontes de umidade como ralos e vazamentos; e aproveitam a água metabólica gerada na digestão da celulose.
Para prevenir a infestação, é fundamental evitar o acúmulo de umidade nas estruturas, controlar vazamentos e manter a ventilação adequada. Sinais comuns que indicam a presença de cupins em paredes de concreto incluem túneis de lama nas bordas de lajes ou pilares, rachaduras que se alargam rapidamente, bolhas ou descascamento da pintura devido à umidade oculta, som oco ao bater em rodapés ou batentes, e a presença de asas descartadas próximas a janelas, resultado do voo nupcial dos alados.
Essas práticas de monitoramento ambiental e identificação precoce são essenciais para reduzir as condições favoráveis aos cupins, prevenindo danos estruturais significativos e facilitando o controle da infestação.
Técnicas de inspeção para identificação e tratamento para infestações de cupins de solo
Para detectar e controlar a infestação de cupins de solo, profissionais utilizam diversas técnicas avançadas de inspeção que permitem localizar essas pragas de forma eficaz mesmo em locais de difícil acesso.
A identificação precoce é fundamental para evitar danos estruturais graves. Essas técnicas combinam recursos tecnológicos e métodos não invasivos para monitorar a presença de cupins subterrâneos.
Dentre as técnicas de inspeção estão:
- Termografia infravermelha: Permite localizar variações térmicas causadas por galerias úmidas construídas pelos cupins.
- Medidores de umidade: Detectam concentrações elevadas de umidade em áreas ocultas, especialmente atrás de paredes.
- Câmeras de boroscopia: Proporcionam inspeção visual em espaços internos e cavidades sem a necessidade de grandes demolições.
- Dispositivos de emissão acústica: Captam os sons produzidos pelos cupins ao se alimentarem dentro de vigas e estruturas de madeira.
Já entre os Métodos de tratamento para infestações de cupins em estruturas de concreto estão:
Barreiras químicas no solo: Aplicação de termiticidas líquidos, como fipronil ou imidaclopride, ao redor da fundação, formando uma barreira letal que impede a passagem dos cupins operários. Para garantir a eficácia, um profissional realiza valas ou perfurações no concreto, assegurando uma proteção contínua contra o avanço dessas pragas.
Esses procedimentos técnicos garantem maior precisão na detecção e controle eficaz dos cupins subterrâneos, minimizando prejuízos estruturais e danos à propriedade.
Sistemas de Iscas para Controle de Cupins de Solo
O uso de estacas de celulose tratadas com baixíssima toxicidade, impregnadas com reguladores de crescimento de insetos (IGRs) como hexaflumuron ou noviflumuron, são instaladas no solo a cada 3 a 4,5 metros. Esses reguladores interrompem o ciclo de vida das colônias de cupins, levando à eliminação da rainha em um período de três a seis meses, devido à sua ação lenta e controlada.
Também antes da construção, recomenda-se como medida preventiva a aplicação de termiticida na fase de solo, utilizando uma dose de 5 litros por metro quadrado, especialmente antes da concretagem das lajes, para criar uma barreira química eficaz. Além disso, as barreiras físicas como telas de aço inoxidável ou aplicação de grânulos de basalto nas juntas, impedem o acesso dos cupins às estruturas.
A incorporação de tubulações de distribuição, com condutos embutidos, facilita reaplicações de produtos a cada cinco anos, possibilitando um monitoramento e manutenção mais eficientes. Além disso, recomenda-se manter uma folga mínima de 20 cm entre o solo e o revestimento externo da edificação para evitar infiltrações e acessos dos cupins.
O uso de iscas contendo IGRs, como hexaflumuron, é uma estratégia de controle que atua dentro da colônia, impedindo a muda e o desenvolvimento dos insetos. Essas iscas devem ser monitoradas regularmente, com substituição periódica dos cartuchos e ajuste do posicionamento conforme a atividade observada nas estações de monitoração.
Não se esqueça que todas essas intervenções devem seguir rigorosamente as normas de segurança, com armazenamento adequado de produtos e utilização de equipamentos calibrados para a aplicação.
A combinação de métodos químico e não químico, incluindo o manejo de umidade, compõe uma abordagem integrada eficaz, além de garantir compatibilidade com as atuais normas ambientais e de segurança.
Referências
- https://polyguard.com/blog/can-termites-eat-concrete (acessado em 26/11/2025 as 09:06)
- https://www.pestofix.com/blog/how-do-termites-survive-inside-concrete-walls-and-foundations.php (acessado em 26/11/2025 as 09:10)
- https://www.orkin.com/pests/termites/damage/termite-foundation-damage (acessado em 28/11/2025 as 22:32)
- https://www.greenleafpestcontrol.com/2015/12/can-termites-eat-their-way-through-your-concrete-foundation/ (acessado em 28/11/2025 as 22:41)
Sobre o autor
Olá meu nome é Pedro Coelho, eu sou engenheiro químico com Pós Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho e também sou Green Belt em Lean
Six Sigma. Além disso, eu conclui recentemente o curso de Engenharia Civil, e em parte de minhas horas vagas me dedico a escrever artigos aqui no ENGQUIMICASANTOSSP, para ajudar estudantes de Engenharia Química e de áreas correlatas. Se você está curtindo essa postagem, siga-nos através de nossas paginas nas redes sociais e compartilhe com seus amigos para eles curtirem também :)



4 Comentários de "Cupim de concreto - como eliminar esse cupim de solo"
Quanto tempo mais ou menos depois do tratamento os cupins podem acabar retornando?
Olá anônimo
A duração para que cupins retornem após um tratamento varia bastante, depende do tipo de tratamento, da gravidade da infestação e das condições da madeira e da estrutura. Em geral, muitos profissionais estimam que o efeito de um tratamento bem feito pode durar de alguns meses até cerca de 1 ano, mas reinfestações podem ocorrer se houver novas colônias próximas, falhas na aplicação ou condições propícias à infestação.
Para reduzir o risco de retorno, é importante manter um plano de prevenção após o tratamento, incluindo inspeções periódicas e medidas de proteção estrutural. As orientações comuns incluem realizar inspeções de rotina a cada 6 meses e tomar ações preventivas para evitar novas entradas de cupins, como vedar frestas, manter a madeira seca e evitar acúmulo de tecido vegetal próximo à estrutura.
Se a infestação reaparecer, pode ser necessário reavaliar o método utilizado e considerar uma nova intervenção profissional, já que nem todos os tratamentos possuem durabilidade igual em todos os contextos. Em muitos casos, combinações de técnicas (aplicação de sondas, iscas, barreiras químicas e controle ambiental) proporcionam maior proteção a longo prazo.
Espero ter sido claro
Um abraço
Uma estrutura metálica consegui impedir a entrada de cupins de concreto?
Olá anônimo
Uma estrutura metálica sozinha não garante que cupins de concreto não entrem ou causem danos. Os cupins podem explorar falhas, frestas e juntas no concreto para acessar áreas de madeira ou proteções próximas, e várias barreiras físicas ou químicas costumam ser usadas em conjunto para prevenir infestação.
As barreiras físicas mais comuns incluem malhas de aço ao redor das fundações, placas protetoras e barreiras de areia com granulometria específica; já as barreiras químicas envolvem tratamentos ao redor da fundação para criar um perímetro que impeça a passagem dos cupins subterrâneos.
Além disso, a madeira que compõe elementos estruturais ou acabamentos deve ser protegida com tratamentos cupinicidas, e é essencial manter áreas próximas à estrutura livres de madeira em decomposição, umidade e materiais orgânicos que atraiam cupins.
Espero ter sido claro
Um abraço
Os comentários são sempre bem vindos, pois agregam valor ao artigo. Porém, existem algumas regras na Política de Comentários, que devem ser seguidas para o seu comentário não ser excluído:
- Os comentários devem estar relacionados ao assunto do artigo.
- Jamais faça um comentário com linguagem ofensiva ou de baixo calão, que deprecie o artigo exposto ou que ofenda o autor ou algum leitor do blog.
- Não coloque links de sites ou blogs no corpo do texto do comentário. Para isso, assine com seu Nome/URL ou OpenID.
-Não coloque seu email e nem seu telefone no corpo do texto do comentário. Use o nosso formulário de contato.
- Se encontrar algum pequeno erro na postagem, por favor, seja bem claro no comentário, pois a minha bola de cristal não é muito boa.
- Tem vezes que eu demoro pra responder, mas quase sempre eu respondo.
- Não seja tímido, se você tem alguma duvida ou sabe de algo mais sobre o assunto abordado no artigo, comente e compartilhe conosco :)