História dos elementos transurânicos

As primeiras tentativas para transformar um elemento em outro ou para se criar novos elementos datam da época dos alquimistas e até mesmo antes disso. Mas, as primeiras tentativas para produzir elementos de números atômicos superior ao do urânio foram feitas em Roma, Itália em 1934, pouco depois da descoberta do nêutron.

uranio enriquecido
Urânio enriquecido

Onde um grupo de físicos italianos, que era liderado por Enrico Fermi e Emilio Gino Segrè bombardeava o urânio com nêutrons lentos e, encontraram vários produtos radioativos, consequentes daquele bombardeamento.

Nos anos que se seguiram, varias espécies radioativas foram encontradas e as pesquisas químicas mostraram que essas espécies radioativas eram isótopos de elementos conhecidos e que se formavam em virtude da fissão nuclear dos átomos de urânio, que se quebravam em aproximadamente em duas partes iguais. Vários pares de produtos de fissão, radioativos, emissores de partícula beta, formando-se em reações do tipo exemplificado abaixo:

reaçao-uranio-neutrons

A fissão nuclear foi descoberta por Otto Hahn, Fritz Straissmann e Lise Meitner em dezembro de 1938. Essa descoberta deu inicio a idade atômica, contribuindo para a produção dos elementos transurânicos e a criação da bomba atômica.
fritz straissmann, lise metiner e otto hahn
Fritz Straissmann, Lise Metiner e Otto Hahn
Após a descoberta dos compostos transurânicos, o comportamento químico dos elementos transurânicos e sua posição na tabela periódica foi devidamente esclarecida com o tempo. Sendo que a União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC) ainda não reconhece alguns desses compostos: o unúntrio, o ununpêntio, o ununséptio e o ununóctio.

Os compostos transurânicos sintetizados pelo homem são os seguintes:

Neptúnio (ou netúnio)


O neptúnio (ou netúnio) foi o primeiro elemento transurânico a ser descoberto. Sendo descoberto em 1940 por Edwin Mattison McMillan e Philip Hauge Abelson na Universidade da Califórnia em Berkeley, o neptúnio foi obtido através de um experimento de fissão do urânio, que era induzido por nêutrons. Onde McMillan observou que a reação gerava um novo composto radioativo.

O neptúnio é um composto radioativo de cor prateada-branca, que possui uma meia vida curta, desintegrando se em 2 ou 3 dias, formando o plutônio. O neptúnio tem o símbolo Np na tabela periódica e número atômico 93.

Plutônio


Descoberto pelos químicos Glenn Theodore Seaborg, Joseph William Kennedy, e Arthur Charles Wahl em 1941 na Universidade da Califórnia em Berkeley, o plutônio é um composto radioativo de cor prateada-branca, que possui uma meia vida longa de 24000 anos (o plutônio 239). O plutônio tem o símbolo Pu na tabela periódica e número atômico 94.

O plutônio pode ser usado como combustível em reatores de fissão nuclear e bombas atômicas.

duas pelotas de plutonio com cerca de 3 cm de diametro
duas pelotas de plutônio com cerca de 3 cm de diâmetro

Amerício


Descoberto por Glenn Theodoro Seaborg, Ralph Arthur James, Leon Owen Morgan e Albert Ghiorso em 1944 na Universidade da Califórnia em Berkeley, o amerício foi obtido após sucessivas reações de captura de nêutrons por bombardeamento de urânio-238 com partículas alfa.

amostra-de-hidroxido-de-americio
Fotografia de um dos primeiros precipitados de hidróxido de amerício, isolado em 1945
O amerício é um composto radioativo de cor prateada-branca, que é geralmente usado em detectores de fumaça (em forma de dióxido de amerício), equipamentos de calibração da espessura de vidros,espectrofotômetros e produção de Cúrio . O amerício tem o símbolo Am na tabela periódica e número atômico 95.

Cúrio


Descoberto por Glenn Theodoro Seaborg, Ralph Arthur James e Albert Ghiorso em 1944 na Universidade de Chicago, o cúrio foi isolado pela primeira vez por Louis B.Werner e Isadore Perlman na universidade da Califórnia durante o outono de 1947. O cúrio recebeu esse nome em homenagem a Marie Curie e seu marido Pierre Curie.

amostra de hidroxido de cúrio isolado
Fotografia do primeira composto de cúrio isolado em 1947.

O cúrio é um composto radioativo de cor prateada, que é usado em geradores termoelétricos de radioisótopos (que são geradores de energia usados satélites e naves espaciais) e em espectrofotômetros de partículas alfa de raio x (que é um equipamento usado para analisar a estrutura e a composição de rochas). O Cúrio tem o símbolo Cm na tabela periódica e número atômico 96.

Berquélio


Descoberto por Glenn Theodoro Seaborg, Albert Ghiorso e Stanley Gerald Thompson em dezembro de 1949 na Universidade da Califórnia em Berkeley, o berquélio foi obtido como resultado do bombardeamento de Américo 241, em quantidades correspondentes a miligramas, utilizando-se íons de hélio, de energia igual a 35 Mev (mega elétron-volt), e acelerados em um cíclotron de 60 polegadas (equipamento acelerador de partículas).

O berquélio é um composto radioativo de cor prateada-branca, que é usado em estudos referentes a elementos transurânicos.O berquélio tem o símbolo Bk na tabela periódica e número atômico 97.

Califórnio


Descoberto por Glenn Theodoro Seaborg, Albert Ghiorso, Kenneth Street Jr e Stanley Gerald Thompson em fevereiro de 1950 na Universidade da Califórnia em Berkeley, o califórnio foi obtido como resultado do bombardeamento de Cúrio 242, em quantidades correspondentes a miligramas, utilizando-se íons de hélio, de energia igual a 35 Mev (mega elétron-volt), e acelerados em um cíclotron de 60 polegadas (equipamento acelerador de partículas).

amostra de oxicloreto de californio
fotografia do primeiro composto de califórnio isolado em 1960

O califórnio é um composto radioativo de cor prateada-branca, que é usado como fonte de nêutrons para inicialização de reatores de fissão nuclear, podendo também ser utilizado em instrumentos de medição (como detectores de corrosão, rachaduras e más soldas, e detectores de metais) e na medicina (tratamento de certos tipos de câncer do colo do útero e do cérebro, onde outro radioterapia é ineficaz).O califórnio tem o símbolo Cf na tabela periódica e número atômico 98.

Einstênio


A descoberta einstênio foi algo inesperado pelo meio cientifico, pois esse elemento transurânicos foi descoberto nas “cinzas” da explosão da primeira bomba de hidrogênio em 1 de novembro de 1952 no atol de Enewetak, nas ilhas Marshall numa operação denominada Ivy Mike. Sendo o einstênio identificado em dezembro de 1952 por Albert Ghiorso e seus colaboradores na Universidade da Califórnia em Berkeley.

O einstênio é um composto radioativo de cor prateada-branca, que tem o símbolo Es na tabela periódica e número atômico 99. O einstênio recebeu esse nome em homenagem ao físico alemão Albert Einstein.

Férmio


Semelhantemente ao ocorrido com o einstênio, o férmio também foi encontrado nas “cinzas” da explosão da primeira bomba de hidrogênio em 1 de novembro de 1952 no atol de Enewetak. O férmio foi identificado em dezembro de 1952 por Albert Ghiorso e seus colaboradores na Universidade da Califórnia em Berkeley.

O férmio é um composto radioativo, que tem o símbolo Fm na tabela periódica e número atômico 100, e recebeu esse nome em homenagem ao físico italiano Enrico Fermi.

Mendelévio


Descoberto pelos cientistas Glenn Theodoro Seaborg, Albert Ghiorso, Bernard Harvey, Gregory Choppin e Stanley Gerald Thompson em fevereiro de 1955 na Universidade da Califórnia em Berkeley, o mendelévio foi obtido como resultado do bombardeamento de isótopos de einsteinio 253 com íons de hélio

O mendelévio é um composto radioativo de cor prateada-branca, que tem o símbolo Md na tabela periódica e número atômico 101. O mendelévio recebeu esse nome em homenagem a Dmitri Ivanovich Mendeleev, que foi o químico russo que criou a tabela periódica.

cíclotron da universidade da california
ciclotron da universidade da califórnia

Nobélio


Descoberto em Estocolmo, Suécia no instituto Nobel de Física pelos cientistas Paul R. Fields, Arnold M. Friedman e seus colaboradores em 1957, o nobélio foi primeiramente obtido como consequência do bombardeio de cúrio 244 com íons de carbono 13, o qual tinha carga igual +4, utilizando se o cíclotrons.

O nobélio é um composto radioativo de cor prateada-branca, que tem o símbolo No na tabela periódica e número atômico 102. O nobélio recebeu esse nome em homenagem a Alfred Bernhard Nobel, que foi um químico e inventor sueco.

Laurêncio


Descoberto pelos cientistas Albert Ghiorso, Torbjørn Sikkeland, Almon E. Larsh e Robert M. Latimer em 1961 na Universidade da Califórnia em Berkeley, o laurêncio foi obtido como consequência do bombardeamento de um alvo de califórnio com íons boro. Sendo nomeado laurêncio em hora de Ernest Orlando Lawrence, o inventor do cíclotron (acelerador de partículas) e fundador do laboratório de radiação de Berkeley.

O laurêncio é um composto radioativo de cor prateada-branca, que tem o símbolo Lr na tabela periódica e número atômico 103.

Ernest Orlando Lawrence
Fotografia de Ernest Orlando Lawrence

Rutherfórdio


Em 1964 um grupo de cientistas soviéticos anunciou ter descoberto o composto de número atômico 104, o qual eles nomearam de kurchatovium, símbolo Ku (em homenagem a Igor Kurchatov, um físico nuclear soviético). Sendo que no experimento dos soviéticos realizados no Instituto Conjunto de Pesquisa Nuclear em Dubna, Rússia, onde eles bombardearam o plutônio 242 com íons de neon-22, alegando ter obtido um isótopo do elemento 104, que teve um número de massa 260 e uma meia-vida de 0,3 segundos.

No entanto, em uma serie de experimentos com o composto, os soviéticos realizaram usaram uma técnica mais refinada para medir o tempo de meia vida do composto, onde se constatou que o composto não tinha meia vida de 0,3 segundos, mas sim de 0,1 segundos. Isso acabou causando grande dúvida no meio cientifico na época, fazendo com que o trabalho dos soviéticos perdesse sua credibilidade.

Em 1969, um grupo de cientista norte americanos da Universidade da Califórnia em Berkeley anunciaram que tinham identificado isótopos do elemento de número atómico 104, diferente da identificada pelos soviéticos. Em seguida, eles deram o nome de rutherfórdio ao composto, em homenagem ao físico britânico Ernest Rutherford.

Ernest Rutherford
Fotografia de Ernest Rutherford
Diferentemente dos soviéticos, os norte americanos bombardearam califórnio-249 com íons de carbono-12 e carbono-13. Nesses experimentos, eles identificaram a geração de 3 isótopos do elemento. No bombardeio de califórnio-249 com carbono 12 produziu se um isótopo com um número de massa 257 e uma meia-vida de 4-5 segundos; e no bombardeio com carbono 13 se obteve um isótopo com um número de massa de 259 e uma meia-vida de 3-4 segundos.

Os cientistas norte americanos, posteriormente, bombardearam cúrio 248 com oxigênio 18, sintetizando um isótopo do elemento 104, que tem um número de massa 261 e uma meia-vida de 70 segundos.

O rutherfórdio é um composto radioativo, que tem o símbolo Rf na tabela periódica e número atômico 104.

Dúbnio


Descoberto em 1967 em Dubna, Rússia no Instituto Conjunto de Pesquisa Nuclear pelos cientistas soviéticos de dubna, o dúbnio foi primeiramente obtido como consequência do bombardeio amerício 243 com íons de néon 22, produzindo isótopos do elemento 105 com números de massa de 260 e 261 e meias-vidas de 0,1 segundo e de 3 segundos, respectivamente. Os soviéticos demoraram um pouco para divulgar sobre o experimento, pois preferiram acumular mais dados sobre as propriedades físicas e químicas do composto, o qual propuseram o nome de nielsbohrium em homenagem ao físico dinamarquês Niels Henrick David Bohr.

Em 1970, o cientista Albert Ghiorso e a sua equipe da Universidade da Califórnia em Berkeley anunciaram que haviam sintetizado um isótopo do elemento 105 com massa de 260, o qual propuseram o nome de hahnium em homenagem a Otto Hahn, o descobridor da fissão nuclear. O experimento dos cientistas de Berkeley foi bem diferente dos soviéticos.

No experimento dos cientistas de Berkeley, eles bombardearam califórnio 249 com átomos de nitrogénio 15, produzindo o elemento 105, o qual apresentou meia vida de cerca de 1,6 segundos. Apesar dos cientistas russos e americanos terem proposto um nome para o composto, quem determinou o nome do composto foi a União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC), que determinou que deu o nome de dúbnio ao elemento 105

O dúbnio é um composto radioativo, que tem o símbolo Db na tabela periódica e número atômico 105.

Seabórgio


Descoberto pelo cientista Georgy Nikolayevich Flyorov do Instituto Conjunto de Pesquisa Nuclear de Dubna, Rússia em Junho de 1974, o elemento identificado como elemento 106 foi anunciado por Flyorov e sua equipe no mesmo mês. Sendo que nesse experimento, os soviéticos bombardearam chumbo 207 e chumbo 208 com ions de cromo 54 para produzir o elemento 106 com massa de 259 e tempo de meia vida de cerca de 0,007 segundos.

Em setembro do mesmo ano, o cientista Albert Ghiorso e a sua equipe da Universidade da Califórnia em Berkeley anunciaram que haviam sintetizado o elemento 106, mas de um jeito diferente ao dos soviéticos, pois Ghiorso e a sua equipe bombardearam califórnio com feixes de projétil de oxigênio 18, o que resultou na geração de um elemento 106 diferente com massa de 263 e tempo de meia vida de 0,9 segundos.

Em 1993, os cientistas russos de Dubna relataram duas sínteses para a produção do elemento 106, e os cientistas de Berkeley repetiram o experimento do grupo de Ghiorso, e no mesmo ano, os cientistas nomearam o composto de seabórgio. Sendo que depois de um tempo a União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC) acabou adotando esse nome para o composto.

O seabórgio é um composto radioativo, que tem o símbolo Sg na tabela periódica e número atômico 106.Sendo o seu nome uma homenagem ao químico norte-americano Glenn Theodore Seaborg.

glenn theodore seaborg
Fotografia deGlenn Theodore Seaborg

Bóhrio


Descoberto em 1976 pelos cientistas soviéticos do Instituto Conjunto de Pesquisa Nuclear de Dubna na Rússia, o bóhrio foi obtido através do bombardeio de bismuto-209 com íons de cromo 54, que resultou na geração do isótopo do elemento 107 com massa de 261 e um tempo de meia vida de 1-2 milissegundo.

Sendo o experimento confirmado em 1981 pelo grupo de cientistas alemães liderados por Peter Armbruster e Gottfried Munzenber do Gesellschaft für Schwerionenforschung Institut (GSI) em Darmstadt, Alemanha. Os cientistas alemães propuseram o nome de nielsbohrium em homenagem ao físico dinamarquês Niels Henrick David Bohr para o composto. A União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC) gostou da ideia de um elemento com o nome do físico, porem adotou o nome de bóhrio para o composto.

niels henrick david bohr
Fotografia de Niels Henrick David Bohr

O bóhrio é um composto radioativo de cor prateada-branca, que tem o símbolo Bh na tabela periódica e número atômico 107.

Hássio


Descoberto em 1984 pelo grupo de cientistas alemães liderados por Peter Armbruster e Gottfried Munzenber do Gesellschaft für Schwerionenforschung Institut (GSI) em Darmstadt, Alemanha; o hássio foi obtido através do bombardeio de chumbo 209 com íons de ferro 58, que resultou na geração do isótopo do elemento 108 com massa de 265 e um tempo de meia vida de 2 milissegundo.

Após a descoberta,os cientistas sugeriram o nome Hássio para composto, que é um nome derivado do nome em latim do estado alemão de Hesse, onde é localizado o instituto. Em 1994, a União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC) foi chamada para resolver uma disputa sobre o nome do composto, e recomendou que o nome hássio fosse mantido.

O hássio é um composto radioativo de cor prateada-branca, que tem o símbolo Hs na tabela periódica e número atômico 108. Sendo o isótopo mais estável de hássio já produzido, o Hássio 277, que tem um tempo de meia vida de aproximadamente de 11 minutos.

Meitnério


Descoberto em 1982 pelo grupo de cientistas alemães liderados por Peter Armbruster e Gottfried Munzenber do Gesellschaft für Schwerionenforschung Institut (GSI) em Darmstadt, Alemanha; o meitnério foi obtido através do bombardeio de bismuto 209 com íons de ferro 58, que resultou na geração do isótopo do elemento 109 com massa de 266 e um tempo de meia vida de 3,4 milissegundos.

Após a descoberta, os cientistas sugeriram o nome meitnério para composto, que é uma homenagem à física austríaca Lise Meitner, que estudou a radiatividade e a fissão nuclear, fazendo parte do grupo de cientistas descobridores da fissão nuclear.

O meitnério é um composto radioativo de cor prateada-branca, que tem o símbolo Mt na tabela periódica e número atômico 109. Sendo o isótopo mais estável de meitnério já produzido, o meitnério 276, que tem um tempo de meia vida de aproximadamente de 0,72 segundos.

lise meitner
Fotografia de Lise Meitner

Darmstácio


Descoberto em 1994 pelo grupo de cientistas alemães liderados por Sigurd Hofmann e Gottfried Munzenber do Gesellschaft für Schwerionenforschung Institut (GSI) em Darmstadt, Alemanha; o darmstácio foi obtido primeiramente através do bombardeio de chumbo 208 com íons de niquel 62, que resultou na sintetização do isótopo do elemento 110 com massa de 269 e um tempo de meia vida de 0,17 milissegundos.

Sendo que o grupo de cientista repetiu o experimento com chumbo 208 e níquel 64 e, obteve isótopos do elemento 110 com massa de 271 e um tempo de meia vida de 11 segundos. Após essa confirmação, os cientistas sugeriram o nome de darmstácio para composto, homenageando a cidade onde fica o instituto GSI.

O darmstácio é um composto radioativo de cor prateada-branca, que tem o símbolo Ds na tabela periódica e número atômico 110. Sendo o isótopo mais estável de darmstácio já produzido, o darmstácio 281, que tem um tempo de meia vida de aproximadamente de 11 segundos.

Roentgênio


Descoberto em 8 de dezembro de 1994 pelo grupo de cientistas alemães liderados por Sigurd Hofmann e Gottfried Munzenber do Gesellschaft für Schwerionenforschung Institut (GSI) em Darmstadt, Alemanha; o roentgênio foi obtido através do bombardeio de bismuto 209 com íons de níquel 64, que resultou na sintetização do isótopo do elemento 111 com massa de 272 e um tempo de meia vida de aproximadamente 3,8 milissegundos.

Em 2002, o GSI repetiu o experimento, pois a IUPAC havia concluído em 2001, que o experimento tinha evidencias insuficientes sobre a geração do roentgênio. Sendo o experimento da GSI em 2002 um sucesso.

O nome do composto é uma homenagem ao físico Wilhelm Röntgen, que descobriu o raio de X. O roentgênio é um composto radioativo, que tem o símbolo Rg na tabela periódica e número atômico 111.

wilhelm rontgen
Fotografia de Wilhelm Röntgen

Copernício


Descoberto em 1996 pelo grupo de cientistas do Gesellschaft für Schwerionenforschung Institut (GSI) em Darmstadt, Alemanha; o copernício foi obtido através do bombardeio de chumbo 208 com íons de zinco 70, que resultou na sintetização do isótopo do elemento 112 com massa de 277 e um tempo de meia vida de aproximadamente 280 milissegundo.

O nome do composto é uma homenagem ao astrônomo e matemático polaco que Nicolau Copérnico, que desenvolveu a teoria heliocêntrica do Sistema Solar. O copernício é um composto radioativo, que tem o símbolo Cn na tabela periódica e número atômico 112.


nicolau copernico
Retrato de Nicolau Copérnico

Unúntrio e Nihonium (Nihônio)


Descoberto por um time de cientistas russos do Instituto Conjunto de Pesquisa Nuclear de Dubna e de cientistas americanos da Universidade da Califórnia em 2003, o unúntrio foi obtido através do bombardeio de amerício-243 com íons de cálcio-48, que resultou na obtenção de 4 átomos do elemento 115 (Ununpêntio) , que em menos de 100 milissegundos decaíram em átomos de unúntrio emitindo partículas alfa.


O unúntrio é um composto radioativo, que tem o símbolo Uut na tabela periódica e número atômico 113, sendo o isótopo mais pesado e estável de unúntrio já produzido, o unúntrio-286, que tem um tempo de meia vida de aproximadamente 20 segundos, sendo que outros unúntrios têm tempo de meia vida de poucos milissegundos.

No entanto, esse estudo não foi reconhecido pela União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC) e nem pela União Internacional de Física Pura e Aplicada (IUPAP).


Em 2004, cientistas do Centro RIKEN Nishina para a Ciência Aceleradora (RIKEN Nishina Center for Accelerator-Based Science) em Saitama, no Japão, anunciaram a produção de um átomo do elemento 113, que foi formado quando o bismuto-209 foi fundido com zinco-70.


Nessa fusão, o átomo decaiu através da emissão de partículas alfa (núcleos de hélio) para o dúbnio-262 por cerca de 2,5 segundos. Acredita-se que as propriedades químicas do Nihonium podem ser semelhantes às do tálio devido a sua posição na tabela periódica.

Em janeiro de 2016, a descoberta dos cientistas japoneses do elemento 113 foi reconhecida pela IUPAC e pela IUPAP. O grupo de cientistas descobridores chamou o composto de “Nihonium”, devido ao seu nome ser baseado na palavra “Nihon”, que é uma das duas maneiras de dizer "Japão" em japonês, e literalmente significa "a Terra do Sol Nascente". O nome Nihonium (em português Nihônio) foi aprovado pela IUPAC em novembro de 2016.

Fleróvio


Descoberto por um time de cientistas russos do fleróvio e de cientistas americanos da Universidade da Califórnia em 199, o fleróvio foi obtido através da colisão de átomos de cálcio 48 com átomos de plutônio-242 e plutônio 244, que resultaram na obtenção de átomos de fleróvio.

O nome do composto é uma homenagem ao físico nuclear russo Georgy Nikolayevich Flyorov (Flerov), que fundou o Instituto Conjunto de Pesquisa Nuclear de Dubna. O fleróvio é um composto radioativo, que tem o símbolo Fl na tabela periódica e número atômico 114.

georgy nikolayevich flyorov flerov
Fotografia de Georgy Nikolayevich Flyorov

Ununpêntio e Moscovium (Moscóvio)


Descoberto por um time de cientistas russos do Instituto Conjunto de Pesquisa Nuclear de Dubna e de cientistas americanos da Universidade da Califórnia em 2003, o unúntrio foi obtido através do bombardeio de amerício-243 com íons de cálcio-48, que resultou na obtenção de 4 átomos de Ununpêntio.

O Ununpêntio é um composto radioativo, que tem o símbolo Uup na tabela periódica e número atômico 115, sendo o isótopo mais estável de ununpêntio já produzido, o ununpêntio-289, que tem um tempo de meia vida de aproximadamente 200 milissegundos.

Assim como o unúntrio, este estudo também não foi reconhecido pela União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC) e nem pela União Internacional de Física Pura e Aplicada (IUPAP).

Em 2010, os cientistas do Instituto Conjunto de Pesquisas Nucleares de Dubna (Rússia) e os cientistas do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley (Califórnia, EUA) anunciaram a produção de quatro átomos do elemento 115, que foram formados após a fusão de átomos de cálcio-48 com amerício-243.
Nesse estudo foram produzidos dois isótopos do elemento 115 com pesos atômicos de 287 e 288. Estes isótopos decaíram em 46,6 e 19-280 milissegundos, respectivamente. Acredita-se que o elemento possua propriedades químicas semelhantes às do bismuto devido a sua posição na tabela periódica.

Em janeiro de 2016 a descoberta do elemento foi reconhecida pela IUPAC e pela IUPAP. Os cientistas descobridores chamaram o composto de Moscovium (em português, Moscóvio) que foi uma homenagem ao Oblast de Moscou onde está localizado o Instituto Conjunto de Pesquisas Nucleares. O nome “Moscovium” foi aprovado pela IUPAC em novembro de 2016.

Livermório


Descoberto por um time de cientistas russos do Instituto Conjunto de Pesquisa Nuclear de Dubna em 2000, o livermório foi obtido a partir da fusão dos átomos de cúrio 248 e cálcio 48 no cíclotron (acelerador de partículas).

Sendo o composto nomeado de livermório, porque o material alvo essencial para a fusão foi fornecido pelo Laboratório Nacional de Lawrence Livermore (LLNL), que fica na Universidade da Califórnia em Berkeley.O livermório é um composto radioativo, que tem o símbolo Lv na tabela periódica e número atômico 116.

Ununséptio: o Tennessine (Tenesso ou Tenessínio)


Em 2010, um grupo de cientistas russos e norte-americanos anunciou a produção de seis átomos do elemento 117, que foram obtidos após o bombardeamento de 22 miligramas de berquélio-249 com átomos de cálcio-48 no ciclotron do Instituto Conjunto de Pesquisas Nucleares de Dubna.

Os átomos gerados eram de pesos atômicos 293 e 294, sendo que cinco dos átomos gerados com peso atômico 293 decompuseram-se em átomos de roentgênio com peso atômico de 294, que decaíram para um átomo de dúbnio. Durante o experimento, eles também obtiveram átomos de Moscóvio (elemento 115), que foram formados pela primeira vez em um experimento. Acredita-se que o elemento 117 possua propriedades químicas que podem ser semelhantes às da astatina.

O estudo demorou para ser reconhecido pela União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC) e pela União Internacional de Física Pura e Aplicada (IUPAP), enquanto isso o elemento 117 ficou conhecido como Ununséptio, que foi um nome temporário para o elemento 117 que recebeu o símbolo temporário Uus.

Em janeiro de 2016, a descoberta do elemento 117 foi reconhecida pela IUPAC e pela IUPAP. Os descobridores nomearam o composto de tennessine (Em português ficou conhecido como Tenesso ou Tenessínio) como homenagem ao estado norte americano, o Tennessee, onde ficam localizados os centros de pesquisa de elementos transurânicos. O nome tennessine foi aprovado pela IUPAC em novembro de 2016.

Ununóctio: o Oganesson (Oganessônio ou Oganésson)


Em 1999, os cientistas do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley (Califórnia, EUA ) anunciaram terem conseguindo obter átomos do elemento 118 como resultado de um bombardeio de chumbo-208 com átomos de criptônio-86. No entanto, em 2002, descobriu-se que alguns dados do estudo tinham sido falsificados.

Em 2006, os cientistas do Instituto Conjunto de Pesquisas Nucleares de Dubna anunciaram que conseguiram obter o elemento 118 em 2002 e 2005 em um ciclotron através do bombardeio de califórnio-249 com íons de cálcio-48, que resultou na produção de um átomo do elemento 118.

Após um milissegundo de sua obtenção, o núcleo do átomo do elemento 118 decaiu e se transformou em Livermório, emitindo uma partícula alfa (núcleo de Hélio). Nenhuma propriedade física ou química do elemento pode ser diretamente determinada, uma vez que apenas alguns átomos do mesmo foram produzidos, mas é provável que o elemento 118 seja um gás à temperatura ambiente. Acredita-se que o elemento 118 possua propriedades químicas próximas a do radônio, que também é um gás nobre.

O estudo demorou para ser reconhecido pela União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC) e pela União Internacional de Física Pura e Aplicada (IUPAP), enquanto isso o elemento 118 ficou conhecido como Ununóctio, que foi um nome temporário para o elemento 118 que recebeu o símbolo temporário Uuo.

Em janeiro de 2016 a descoberta do elemento 118 foi reconhecida pela IUPAC e pela IUPAP. Os descobridores chamaram o composto de Oganesson (Em português, Oganessônio ou Oganésson) homenageando o físico russo Yuri Oganessian, que liderou o grupo de cientistas de Dubna que descobriu este elemento transurânico e vários outros. O nome Oganesson foi aprovado pela IUPAC em novembro de 2016.

Referências


Sobre o autor


Pedro Coelho Olá meu nome é Pedro Coelho, eu sou engenheiro químico, engenheiro de segurança do trabalho e Green Belt em Lean Six Sigma. Além disso, também sou técnico em informática, e em parte de minhas horas vagas me dedico a escrever artigos aqui no ENGQUIMICASANTOSSP, para ajudar estudantes de Engenharia Química e outros cursos. Se você acha legal esse projeto, siga-nos através de nossas paginas nas redes sociais e ajude-nos a divulgar essa ideia, compartilhando com seus amigos as nossas postagens.

Marcadores : historia, quimica-nuclear
3 Comentários de "História dos elementos transurânicos "

parabéns pelo site.. artigos muito bons e estruturados
qualidade excelente!!

mas eu tenho uma pergunta.. pq o unúntrio, o ununpêntio, o ununséptio e o ununóctio nao são reconhecidos pela IUPAC?!

Olá Franklin

Respondendo a pergunta, os estudos referentes a esses compostos não foram considerados consistentes para a IUPAC, por isso ela ainda não reconhece, pois ela é bem rígida em suas analises.

Eu fico feliz que você tenha gostado do blog =)

Um forte abraço

opa obrigado pela atenção em responder.. abraço

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