A glutamina (L-glutamina) é um aminoácido não essencial que foi descoberto por Ernst Schulze e Emil Bosshard em 1883, que conseguiram isolá-la a partir do suco de beterraba. Sendo que mais tarde, descobriu-se que a glutamina também podia ser encontrada com abundância na gliadina (que é uma proteína do glúten) de trigo. Em 1935, Hans Krebs descobriu a síntese da glutamina a partir da amônia e do glutamato.
A Função e os Benefícios da Glutamina
A glutamina é um aminoácido que parece ser o mais ativo e, está envolvido em muitos processos metabólicos. Por exemplo, um dos benefícios da glutamina é que ela também ser convertida em glicose se o seu corpo precisar de mais glicose como fonte de energia. Além disso, também participa da manutenção do nível normal de glicose no sangue e da faixa adequada de pH dele, que é algo entre 7,35-7,45.
A glutamina é um aminoácido livre encontrado com abundancia nos músculos humanos e no plasma. O corpo humano utiliza a glutamina em altas proporções para células que se dividem rapidamente, como leucócitos, a fim de fornecer energia a elas, isto é, para criar as melhores condições para a biossíntese de nucleotídeos. Em outras palavras, a glutamina é considerada vital para a função imunológica adequada.
A maior parte da glutamina presente no corpo é armazenada nos músculos e nos pulmões, onde ela é produzida em maior quantidade. Esse aminoácido também ajuda na remoção do excesso de amônia, que é um produto residual comum no corpo humano.
Além disso, a glutamina também se mostra importante para a digestão e para a função cerebral normal. Esse aminoácido ajuda a proteger o revestimento do trato gastrointestinal e ajuda os atletas a manter a forma física.
O corpo humano utiliza taxas elevadas deste aminoácido para produzir energia e leucócitos na divisão celular e biossíntese de nucleotídeos. Alem disso, a glutamina também ajuda na eliminação de toxinas geradas durante os processos metabólicos, proteção das membranas mucosas gastrointestinais, digestão e no funcionamento do cérebro.
Vários cientistas concordaram que a glutamina é um dos aminoácidos mais abundantes no corpo humano, sendo ela um componente bem importante dessas proteínas do corpo.
Alimentos Ricos em Glutamina
Normalmente, o corpo humano pode produzir esse aminoácido o suficiente para suas necessidades regulares, mas às vezes um estresse extremo, como um exercício muito intenso ou uma doença, pode causar uma escassez de glutamina, pois seu corpo precisará de mais aminoácidos do que pode produzir.
Além disso, algumas condições médicas, como lesões, cirurgia e estresse, geralmente reduzem os níveis desse aminoácido. De fato, quando seu corpo está estressado sob tais condições, ele libera um hormônio chamado cortisol na corrente sanguínea.
Um alto nível desse hormônio na corrente sanguínea reduz as reservas de glutamina no corpo humano, isso implica que você pode acabar tendo que tomar algum suplemento de glutamina para ajudar seu corpo a se restaurar.
Naturalmente, as pessoas são capazes de obter glutamina suficiente sem tomar um suplemento à medida que o corpo humano a produz. Além disso, você também pode obter mais glutamina através do consumo de alimentos ricos nesse aminoácido e dentre eles estão alimentos como carne, peixe, e produtos lácteos. Já alimentos como cereais integrais, beterraba, repolho, ervilhas, feijão, espinafre e salsinha, possuem uma quantidade menor desse aminoácido.
Como e quando tomar
Ao considerar a suplementação de glutamina, é comum surgirem dúvidas sobre o momento ideal para o seu consumo, a forma de ingestão e a dose mais adequada. A seguir, apresentamos orientações práticas sobre como, quando e com que líquidos tomar glutamina, bem como suas implicações para a prática desportiva, saúde intestinal e outras situações clínicas.
Horário: antes ou depois do treino?
- Muitos protocolos sugerem após o treino (5–10 g), para apoiar recuperação e reduzir fadiga; entretanto, a glutamina pode ser dividida em doses ao longo do dia, pois seu pool tissular é mais relevante que o pico imediato.
- Em alguns estudos, doses únicas após sessões de endurance ajudaram a reduzir cãibras e percepção de esforço em exercícios de até 2 horas.
Em jejum ou antes de dormir?
- É possível tomar glutamina em jejum, inclusive pela manhã, pois aminoácidos livres não provocam grande resposta insulínica como carboidratos.
- Usar glutamina antes de dormir é comum para quem busca apoio intestinal e recuperação noturna, mas há pouca evidência de que melhore diretamente o sono; o foco é manutenção tissular e imunidade.
Com água ou suco?
- O ideal é diluir em água, pois sucos (sobretudo açucarados) podem alterar o padrão de absorção e não são necessários para o uso desejado.
- Em jejum intermitente, doses de 3–5 g em água costumam ser consideradas compatíveis com o período de jejum, desde que não haja outras fontes calóricas.
Dose diária recomendada
- Para uso esportivo e intestinal, muitos protocolos sugerem 5–10 g/dia, divididos em 1–2 tomadas.
- Em pacientes clínicos (ex.: pós‑cirúrgicos, desnutridos), podem ser usadas doses maiores (até 20–30 g/dia) em formulação oral ou parenteral, sempre sob supervisão médica.
Benefícios e para que serve
A saúde intestinal é um tema central tanto na investigação biomédica quanto na prática clínica, especialmente devido ao papel fundamental do intestino na absorção de nutrientes, defesa imunológica e manutenção do equilíbrio metabólico.
Nesse contexto, a glutamina destaca-se como um dos aminoácidos mais relevantes, atuando diretamente na preservação da integridade da mucosa intestinal e no suporte à função imunológica.
A seguir, exploramos como a glutamina influencia o funcionamento intestinal, sua importância em situações de estresse e doenças, e as evidências sobre seu uso em diferentes condições clínicas.
Glutamina e o intestino
A glutamina é o principal combustível para os enterócitos (células da mucosa intestinal) e ajuda a manter a barreira intestinal e a reduzir a permeabilidade elevada (“intestino permeável”).
- Em condições de estresse (cirurgia, inflamação, uso de corticoides), a glutamina pode apoiar a reparação da mucosa, reduzindo apoptose e melhorando função de junções estreitas.
- Para Síndrome do Intestino Irritável (SII), a evidência é limitada: alguns estudos mostram redução de dor e melhora de sintomas, mas não é tratamento padrão nem substitui ajuste dietético e farmacológico.
Glutamina, emagrecimento e massa muscular
- Emagrecer ou engordar? A glutamina é um aminoácido neutro com valor calórico similar a outros aminoácidos (~4 kcal/g), mas não é “termogênica”. Em jejum intermitente ou dieta hipocalórica, doses habituais (5–10 g) não devem impactar significativamente o balanço calórico.
- Ganho de massa muscular? A glutamina não é anabólica direta. A ciência mostra que ela ajuda indiretamente na recuperação: reduzindo fadiga, apoiando síntese de proteína e preservando massa em estados catabólicos, mas não substitui treino e proteína total.
Imunidade e glutamina
- A glutamina é fonte de energia para células imunes (linfócitos, macrófagos) e pode atenuar a queda de imunidade após esforço prolongado ou intervenções cirúrgicas.
- Em treinos muito intensos (ex.: maratona, ciclismo longo), a queda plasmática de glutamina se associa a maior risco de infecções; neste cenário, suplementação pode ajudar a manter resposta imune, embora os dados não sejam definitivos.
Saúde intestinal e condições médicas
A glutamina é frequentemente mencionada nos cuidados com a saúde intestinal, tanto em contextos esportivos quanto clínicos. No entanto, muitas dúvidas surgem quanto ao seu impacto direto sobre o funcionamento do intestino, especialmente se o suplemento pode causar efeitos como "soltar" ou "prender" o trânsito intestinal.
A seguir, exploram-se as evidências sobre o papel regulador da glutamina e sua atuação em distúrbios gastrointestinais, trazendo esclarecimentos relevantes para quem busca uma abordagem mais informada e segura no uso desse aminoácido.
Glutamina “solta” ou “prende” o intestino?
- A glutamina é mais um regulador funcional do intestino: ajuda a manter a movimentação, a hidratação da mucosa e a microbiota saudável.
- Em alguns casos, doses altas podem causar desconforto (gases, inchaço) em pessoas sensíveis, mas não há evidência de que, por si só, cause diarreia ou constipação crônica.
Gastrite, refluxo e glutamina
- Em gastrite e refluxo, a glutamina pode apoiar a regeneração da mucosa gástrica e esofágica, mas não substitui inibidores de bomba de próton ou antiácidos.
- Pacientes com gastrite crônica ou esofagite devem usar glutamina apenas sob orientação, pois há risco de interação com medicamentos e alterações no pH gástrico.
Glutamina e Síndrome do Intestino Irritável
- A glutamina pode reduzir dor abdominal e sensação de desconforto em alguns pacientes com SII, possivelmente pela melhora da barreira intestinal e da inflamação local.
- Os efeitos são modestos e variáveis; a abordagem principal continua sendo dieta (ex.: FODMAPs), estresse e fármacos, não suplemento isolado.
Gestação e lactação
- A ANVISA e muitos rótulos não recomendam glutamina para gestantes e lactantes, devido à falta de dados robustos de segurança nestas fases.
- Em casos clínicos (ex.: gestante com desnutrição grave), o uso deve ser avaliado individualmente por nutricionista/medicina, sempre em dose mínima efetiva.
Malefícios da glutamina
A glutamina é geralmente considerada segura e é abundante tanto no corpo quanto em uma dieta típica. No entanto, como qualquer substância, pode ter efeitos adversos quando tomada em quantidades excessivas ou sob certas condições médicas. Altas quantidades de glutamina podem levar a efeitos colaterais, como alterações na cor da pele, desconforto gastrointestinal e alterações no humor.
Em casos raros, pode causar problemas mais sérios, como sangue na urina, dor lombar, batimento cardíaco acelerado, tontura ou erupção cutânea, que requerem atenção médica imediata. É importante consultar profissionais de saúde antes de iniciar qualquer novo regime de suplemento, especialmente para indivíduos com problemas de saúde existentes ou aqueles que tomam outros medicamentos.
Os efeitos a longo prazo da glutamina suplementar não são totalmente compreendidos, e ela deve ser usada com cautela e dentro das diretrizes recomendadas. Para a maioria das pessoas, a glutamina obtida de uma dieta balanceada é suficiente, e a suplementação não é necessária.
Antes de considerar a suplementação com glutamina, é fundamental compreender os potenciais efeitos colaterais e contraindicações associados ao seu uso. O trecho a seguir reúne informações essenciais sobre tolerância, possíveis reações adversas, cuidados em condições clínicas específicas e aspectos relevantes para quem realiza jejum intermitente.
Efeitos colaterais
- Glutamina é bem tolerada em doses usuais, mas alguns indivíduos relatam gases, inchaço ou desconforto abdominal, especialmente em doses acima de 15–20 g.
- Reações alérgicas são raras, mas possíveis em pessoas sensíveis a aminoácidos livres ou a aditivos do suplemento.
Doenças renais e hepáticas
- Com doenças renais ou hepáticas graves, o uso de glutamina pode sobrecarregar o metabolismo de nitrogênio, aumentando risco de complicações.
- Nestes casos, a suplementação só deve ser considerada com orientação médica, com monitoramento de função renal e hepática.
Quebra o jejum intermitente?
- A glutamina é um aminoácido e, em síntese, fornece calor e substrato anabólico, mas em doses típicas (3–5 g) muitos especialistas consideram que não anula o jejum intermitente, desde que não haja ingestão concomitante de carboidratos ou gorduras.
- Quem prioriza efeitos metabólicos máximos do jejum (ex.: cetose profunda) pode optar por evitar até aminoácidos livres, mas isso é mais rigor do que evidência definitiva.
Diferenças entre glutamina e BCAA
A compreensão das funções dos aminoácidos, especialmente glutamina e BCAA, é fundamental para entender seu papel no metabolismo e na saúde muscular. A tabela a seguir apresenta de forma resumida as principais características e benefícios desses nutrientes, destacando como cada um atua no organismo e suas contribuições para o equilíbrio sistêmico e a síntese proteica.
Em termos de engenharia metabólica, a glutamina atua como um “protetor sistêmico” (intestino, imunidade, equilíbrio de nitrogênio), enquanto o BCAA é mais um “construtor local” para o músculo.
Referências
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- https://www.tuasaude.com/como-tomar-glutamina/ (acessado em 31/03/2026 as 18:24).
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- https://www.oceandrop.com.br/glutamina/p (acessado em 31/03/2026 as 18:39).
- https://www.snakedragon.com.br/post/bcaa-vs-glutamina-qual-escolher-para-recuperacao-muscular (acessado em 31/03/2026 as 18:41).
Sobre o autor
Olá meu nome é Pedro Coelho, eu sou engenheiro químico com Pós Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho e também sou Green Belt em Lean
Six Sigma. Além disso, eu conclui recentemente o curso de Engenharia Civil, e em parte de minhas horas vagas me dedico a escrever artigos aqui no ENGQUIMICASANTOSSP, para ajudar estudantes de Engenharia Química e de áreas correlatas. Se você está curtindo essa postagem, siga-nos através de nossas paginas nas redes sociais e compartilhe com seus amigos para eles curtirem também :)


2 Comentários de "O que é Glutamina? Função, Benefícios e Alimentos Ricos nesse Aminoácido"
A glutamina incha a barriga?
Olá anônimo
Glutamina, um aminoácido natural do corpo e um suplemento popular entre atletas, é geralmente considerado seguro para consumo. No entanto, como qualquer suplemento, pode causar efeitos colaterais em alguns indivíduos.
Embora não haja evidências sólidas que sugiram que a glutamina cause inchaço abdominal especificamente, problemas gastrointestinais como náusea, inchaço e dor abdominal foram relatados como efeitos colaterais potenciais.
É importante observar que as reações individuais podem variar, e o que pode causar desconforto em uma pessoa pode não afetar outra. Se você está considerando a suplementação de glutamina e está preocupado com possíveis efeitos colaterais, é aconselhável consultar um profissional de saúde para garantir que ela esteja alinhada com suas necessidades e objetivos de saúde.
Espero ter ajudado
Um abraço
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