Fusão a Frio

A fusão do hidrogênio, diferentemente da fissão nuclear (que é uma quebra de átomos liberando uma imensa quantidade de energia), é a fusão nuclear dos átomos dos isótopos de hidrogênio deutério e trítio, que se unem liberando uma imensa quantidade de energia, resultando em Helio e nêutron, conforme mostra a reação abaixo:

21H + 31H→ 42He + 10n

Para que essa reação ocorra, é necessária uma energia de ativação muito elevada, ou seja, para conseguir realizar a fusão do hidrogênio, seria necessário atingir temperaturas altíssimas, próximas a temperatura do sol, pois, vale a pena lembrar, que a fusão do hidrogênio ocorre com naturalidade nas estrelas e no sol, onde os núcleos de hidrogênio se colidem sem cessar, devido a temperaturas na ordem de centenas de milhões de graus centígrados. Devido a isso, torna-se difícil e muito caro produzir geradores de energia a partir da fusão do hidrogênio.

Pois, os cientistas teriam que obrigar os átomos de hidrogênio a se fundir em aparelhos caríssimos e gigantescos (Tokamak), que imitariam as condições de temperatura e densidade do Sol. No entanto, estudiosos procuram um jeito alternativo de fazer essa fusão, para que ela ocorra em temperaturas mais baixas, originando desta forma o nome de processo de Fusão a Frio.


Experimento de Fleischmann e Pons


No dia 23 de março de 1989, os químicos Martin Fleischmann e seu ex-aluno Stanley Pons convocaram uma entrevista coletiva na Universidade de Utah para anunciar a obtenção de fusão nuclear em um dos tubos de ensaio usados em seus experimentos, algo que causou uma grande perplexidade e descrença entre os acadêmicos, alem de ter irritado alguns acadêmicos, por causa da grave quebra de protocolo cientifico ao chamar a imprensa.

stanley pons martin fleischman
Stanley Pons e Martin Fleischman
Nesse experimento, Pons e Fleischman mostraram que não seria necessário a construção de aparelhos caríssimos e gigantescos para imitar as condições de temperatura e densidade do Sol, pois em suas reproduções em escala piloto realizados em laboratório a fusão teria acontecido graças a um procedimento comum da química, a eletrólise (que é uma técnica usada para separar componentes básicos de uma substância através da eletricidade).

Pons e Fleischman alegaram terem conseguido separar o deutério (2H) da água pesada (²H2O) através de uma corrente elétrica entre um eletrodo de platina e outro de paládio. Nessa corrente elétrica, o paládio atraiu o deutério, e em sua estrutura se aninhou, e devido à tremenda pressão a que ficaram submetidos nessa estrutura, os núcleos de deutério simplesmente se fundiram.

No processo , Pons e Fleischman disseram ter registrado uma emissão discreta de nêutrons e uma quantidade indeterminada de raios gama, que indicava a produção de energia.

No entanto, os autores pesquisadores não descrevem completamente a experiência realizada, deixando diversas lacunas sobre o artigo de Fusão a frio, e consequentemente escandalizando a classe estudiosa da área científica.

Em avaliação do artigo de fusão a Frio em maio de 1989 em Santa Fé, Novo México, os cientistas que analisaram o artigo foram desfavoráveis a Fusão a frio, pois segundo os mesmos: “A evidência de que Pons e Fleischmann estão errados é esmagadora”, resumiu um pesquisador. Diante a reticência de Pons e Fleischman, que não compareceram na reunião, físicos de vários países, descartando a possibilidade de fraude, chegaram à conclusão de que o resultado obtido por eles poderia ter sido causado por um erro de medição ou por uma interferência do ambiente e nessa hipótese que eles chegaram, as fusões teriam sido precipitadas pela presença de múons, que são partículas elementares que se formam quando raios cósmicos chegam à atmosfera.

Os múons teriam se chocado com os elétrons em volta dos núcleos de deutério, substituindo-os, e como eles são mais pesados do que os elétrons, acabariam girando mais juntamente ao núcleo, formando átomos menores, com isso, os componentes do núcleo (prótons e nêutrons) teriam ficado próximos o bastante para originar a fusão.

Apesar disso, vários cientistas no mundo fizeram experimentos com base nas experiências de Fleischmann e Pons, porém, nenhum dos experimentos baseados nos estudos de Fleischmann e Pons deu certo.

Experimento de fusão a frio de Andrea Rossi


Em janeiro de 2011, o engenheiro italiano Andrea Rossi apresenta aos professores da Universidade de Bolonha, na Itália um dispositivo, que alegadamente realiza a fusão a frio, utilizando gás hidrogênio comum e níquel em pó, o qual recebeu o apelido de Energy Catalyzer (E-Cat).

O E-CAT é basicamente uma câmara, que possui 106 cilindros de reação de 20 x 20 x 1 cm, onde ocorre a reação de fusão do hidrogênio a uma temperatura próxima a 350 °C em condições estáveis, podendo alcançar picos acima de 1000 °C em condições pouco estáveis.

O experimento desenvolvido por Rossi possui boa eficiência na geração de energia e pode mudar o mundo que conhecemos, pois o experimento promete a geração de energia a baixo custo.

camara de fusão a frio e-cat
Câmara de Fusão a Frio (E-CAT)

Conheça o E-Cat (vídeo em Italiano)



Referências


Sobre o autor


Pedro Coelho Olá meu nome é Pedro Coelho, eu sou engenheiro químico, engenheiro de segurança do trabalho e Green Belt em Lean Six Sigma. Além disso, também sou técnico em informática, e em parte de minhas horas vagas me dedico a escrever artigos aqui no ENGQUIMICASANTOSSP, para ajudar estudantes de Engenharia Química e outros cursos. Se você acha legal esse projeto, siga-nos através de nossas paginas nas redes sociais e ajude-nos a divulgar essa ideia, compartilhando com seus amigos as nossas postagens.

2 Comentários de "Fusão a Frio"

Vcs ja pensaram numa abordagem diferente, ao invés de usar altas temperaturas tentar forçar uma fusao atraves do chooque sonico

Olá Jairo

Você deve esta falando de algo mais recente. Por favor, me fale um pouco mais sobre isso, pois eu só conheço o trabalho do Andrea Rossi.

Os comentários são sempre bem vindos, pois agregam valor ao artigo. Porém, existem algumas regras na Política de Comentários, que devem ser seguidas para o seu comentário não ser excluído:
- Os comentários devem estar relacionados ao assunto do artigo.
- Jamais faça um comentário com linguagem ofensiva ou de baixo calão, que deprecie o artigo exposto ou que ofenda o autor ou algum leitor do blog.
- Não coloque links de sites ou blogs no corpo do texto do comentário. Para isso, assine com seu Nome/URL ou OpenID.
-Não coloque seu email e nem seu telefone no corpo do texto do comentário. Use o nosso formulário de contato.
- Se encontrar algum pequeno erro na postagem, por favor, seja bem declaro no comentário, pois a minha bola de cristal não é muito boa.
- Não seja tímido, se você tem alguma duvida ou sabe de algo mais sobre o assunto abordado no artigo, comente e compartilhe conosco :)

Back To Top